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Qual será o recado do Federal Reserve na última reunião de juros do ano?

Postado por: TC Mover em 18/12/2018 às 16:33

— O Federal Reserve se prepara para o quarto aumento de taxa-alvo de juros nos Estados Unidos neste ano, em sua última reunião de 2018, na esteira de uma das maiores instabilidades dos mercados em anos e do temor de uma desaceleração que possa pôr fim a um dos mais longos períodos de expansão econômica da história norte-americana.
— Na reunião de amanhã do FOMC, como o comitê de política monetária do banco central americano é conhecido, deve ser decidida uma elevação de 25 pontos-base no intervalo da taxa-alvo para 2,25%-2,50%. No entanto, mais do que o consenso sobre a decisão de dezembro, o investidor ficará de olho nas sinalizações sobre o ritmo de altas para 2019, além dos comentários do presidente da autarquia, Jerome Powell, em relação à atividade econômica, à inflação e às turbulências atuais no mercado.
— Desde 2015 o Fed vem elevando gradualmente sua taxa de referência para preservar a expansão econômica que sucedeu a recessão de 2008, a pior do país desde a Grande Depressão de 1929. São exatamente dois pontos percentuais de aumento desde então. A autoridade monetária tem agido com pouca intensidade quando comparada com sua atuação nos ciclos de aumento dos juros nos anos 1980 ou, mais recentemente, nos anos 2000. Nessa última ocasião, quando o Fed descreveu sua atuação como “comedida”, a soma das altas em três anos de ciclo totalizou mais de quatro pontos percentuais.
— Houve uma interpretação no mercado de que Powell, o vice-presidente da instituição, Richard Clarida, e outros diretores do comitê fizeram comentários dóceis quanto à política monetária em dias recentes. Vários analistas acreditam que possa haver uma pausa nas altas no ano que vem. O próprio presidente do país, Donald Trump, tem pressionado por uma pausa, e em três oportunidades mencionou o fato nas redes sociais, citando até editorial do The Wall Street Journal, o mais prestigiado jornal econômico do mundo.
— Mas, para o economista do Barclays, Antonio Garcia Pasqual, os recentes comunicados não foram tão dóceis quanto os mercados pensam. O Fed, diz o economista, normalmente evita sinalizar movimentos neste estágio do ciclo de altas, o que é prudente. Além disso, há grande incerteza dentro da autarquia quanto à intensidade do crescimento potencial do PIB . Por isso, Pasqual manteve sua perspectiva de aumentos trimestrais nos juros dos EUA até o final de 2019, com crescimento acima da tendência, queda adicional do desemprego e riscos de alta na inflação ao longo dos próximos meses.
— Fique de olho na reação dos mercados asiáticos e europeus, assim como dos futuros dos índices americanos de manhã; o mercado dos Treasuries e o dólar também devem mostrar algum sintoma pré-divulgação. A decisão está prevista para sair às 17h00, horário de Brasília, e Powell deve falar na sequência.
Gráfico: TC News

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