Mover

B3 faz acordo com Instituto de Meteorologia para criar derivativos de clima

Postado por: TC Mover em 20/04/2021 às 17:44
b3 - derivativos de clima

São Paulo, 20 de abril – A B3 e o Instituto Nacional de Meteorologia, o INMET, assinaram um protocolo de intenções que abrirá espaço para a bolsa desenvolver derivativos relacionados ao clima.


Proposta da B3 e INMET é criar índices relacionados ao risco climático

A proposta é permitir o desenvolvimento de índices relacionados a riscos climáticos. Eles poderão ser usados pelas seguradoras e derivativos para setores mais sensíveis ao clima, como o agronegócio ou o setor elétrico.

Segundo Icaro Demarchi Araujo Leite, superintendente de Seguros da B3, um dos focos iniciais será a oferta de soluções para o setor de seguros, no qual a B3 atua desde 2019. Uma das possibilidades é a oferta de produtos relacionados ao Seguro Paramétrico. Este seguro é acionado quando ocorre determinado evento climático.

A primeira parte da parceria prevê a construção do seguro de índice paramétrico. Na segunda deve ocorrer a criação do mercado do derivativo de clima. Ambas devem ajudar na redução dos custos para o produtor rural e para toda a sociedade, reduzindo os riscos das mudanças climáticas, com o INMET como provedor de dados do índice paramétrico dos contratos, diz Leite.


Seguro Paramétrico ainda é recente no Brasil

Ainda recente no Brasil, o Seguro Paramétrico é desenhado sob medida para determinado cliente, utilizando os chamados “gatilhos”, situações ou eventos que, caso ocorram, agilizam o processo de acionamento do seguro e ressarcimento.

Em regiões com incidência de furacões e tornados, por exemplo, as seguradoras conseguem acompanhar a trajetória do fenômeno e já dar andamento às indenizações sem que o cliente tenha que acionar a seguradora, explica Leite.


Seguro Paramétrico pode ser aplicado no agronegócio

No Brasil, uma das possíveis aplicações do Seguro Paramétrico é no setor do agronegócio. “Imagine, por exemplo, uma grande plantação de soja no Sul, caso ocorra uma forte geada ou chuva, muito provavelmente toda a colheita será perdida”, afirma Leite.

No modelo tradicional, o agricultor teria de acionar a seguradora, que enviaria uma equipe técnica para comprovar a perda total da colheita, entre outros processos. Com o gatilho do Seguro Paramétrico, a intensidade da geada ou chuva será imediatamente detectada e informada à seguradora, que poderá agilizar o processo e reduzir custos associados à confirmação do sinistro.


B3 estuda possíveis aplicações de dados

Segundo Leite, a B3 iniciou conversas com algumas seguradoras que já são clientes da B3 para o possível intercâmbio de informações do INMET. “Além do Seguro Paramétrico, estudamos outras possíveis aplicações desses dados dentro da nossa oferta de soluções para o mercado segurador”, afirma.

Texto: Angelo Pavini
Edição: Clara Guimarães e Letícia Matsuura
Arte: Vinícius Martins / TC Mover


Leia também

Aneel volta a adiar reajuste de tarifas de distribuidoras de energia

XP inicia Orizon com compra citando resiliência do setor e ESG

Arthur Lira cita PL dos Correios entre “assuntos importantes” que serão retomados

Mover Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Saiba Mais