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Biden pode valorizar ações de empresas com boa sustentabilidade

Postado por: TC Mover em 09/11/2020 às 13:44

São Paulo, 09 de novembro – A imprensa americana confirmou no sábado que o candidato democrata Joe Biden derrotou o republicano Donald Trump na eleição presidencial. Confirma-se assim a mudança de comando da maior economia do mundo, o que terá impactos na atividade global e nas relações comerciais, especialmente com a China. 

A eleição americana não muda tanto para o Brasil no curto prazo, diz Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados. Mas pode colocar mais pressão nas empresas americanas que investem aqui em pedir mais respeito ao meio-ambiente para fazer isso. 

No que nos é mais relevante para o Brasil, a exportação para a China, nada muda, acredita Vale. A crise entre Estados Unidos e China vai continuar mesmo com Biden e pode até piorar porque o novo presidente americano pode reaproximar os EUA da Europa e de outros países da Ásia.

De olho no meio ambiente e energias renováveis

Para a XP, os democratas têm uma forte agenda de meio ambiente e energias renováveis. Apesar de Brasil ser um dos maiores produtores de energia de fontes renováveis no mundo por meio do etanol e da geração hidrelétrica, a visão do mundo em relação ao controle ambiental se deteriorou rapidamente, principalmente em relação às queimadas na Amazônia, avalia a corretora. 

A XP lembra que Biden inclusive citou o Brasil no primeiro debate, coisa pouco usual em uma campanha, e propôs que países de todo o mundo forneçam US$20 bilhões destinados à preservação das florestas. Ele também disse que o Brasil enfrentará consequências econômicas significativas, caso o país não controle os desmatamentos.

Congresso americano dividido

Para a XP e outros analistas, o cenário mais provável é que Biden tenha de conviver com um Congresso dividido, com os republicanos ainda controlado o Senado. Esse cenário já vem sendo descontado nos mercados recentemente, o que fez as bolsas subirem 7% na semana passada aqui e no exterior. 

O Congresso dividido deve diminuir a probabilidade de os democratas aprovarem um plano de aumento de impostos impopular. E o pacote de estímulos aprovado pelos democratas na Câmara deve ser ainda maior, US$2, trilhões pelo menos, que o pacote dos republicanos, que queriam US$500 bilhões. Isso também anima os mercados, diz a XP. 

Mas esse cenário pode mudar no começo do ano, quando o Estado da Geórgia fará o segundo turno da eleição para dois senadores. Caso os democratas vençam as duas vagas, podem ter maioria no Senado. A votação ocorrerá em 5 de janeiro. Para a XP, porém, uma maioria estreita no Senado não daria vantagem suficiente para os democratas aprovarem medidas impopulares, como aumentos de impostos. 

Para o BB Investimentos, o cenário com Biden e o Congresso dividido tornaria mais difícil a aprovação do aumento de impostos e limitaria o alcance dos estímulos fiscais. Em contrapartida, o aperto na regulação poderia ser mantido, o que levaria a um ambiente adverso para algumas empresas, principalmente para bancos e empresas de óleo e gás. Neste caso, a sugestão de posicionamento do banco é em ações de empresas com boas práticas de sustentabilidade, o chamado ESG.

Trump ainda pode atrasar decisão final

Outro cenário é de o presidente Trump conseguir alguma vitória na Justiça contra os resultados. Apesar de esse risco ter caído diante da vitória de Biden em vários Estados, e não em um só, se o atual presidente conseguir atrasar a decisão final, o BB Investimentos espera um cenário de incerteza que deve trazer muita instabilidade aos mercados nos EUA e no Brasil. 

“Como é de costume nos nossos mercados, em situações de incerteza, a tendência é que ocorra uma alta do dólar e dos juros com queda generalizada dos preços das ações e, por consequência, do índice Ibovespa”, diz o banco. 

Caso o investidor queira proteger seus investimentos neste cenário, a recomendação seria a compra de ativos que sejam atrelados ao dólar, como ações de empresas exportadoras, fundos Cambiais, ou ativos que se beneficiem de uma possível elevação das taxas de juros, como títulos públicos ou privados pós-fixados.

Texto: Angelo Pavini
Edição: Letícia Matsuura
Imagem: Vinícius Martins/TC

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