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Bolsa fraca estraga festa dos IPOs; entenda os cancelamentos

Postado por: TC Mover em 25/09/2020 às 12:54
A volatilidade recente do mercado acionário atinge os processos de aberturas de capital de empresas na bolsa, os chamados IPOs, na sigla em inglês, causando cancelamentos ou precificação menor que o esperado.

A volatilidade recente do mercado acionário atinge os processos de aberturas de capital de empresas na bolsa, os chamados IPOs, na sigla em inglês, causando cancelamentos ou precificação menor que o esperado.

Dos 102 mil pontos do início de setembro, o Ibovespa caiu para 96 mil pontos, uma perda de 6%, reflexo de uma mudança de perspectivas para as bolsas aqui e no exterior que reduziu o interesse por ações. E, em um ambiente de menor apetite por risco, empresas novas sofrem mais por terem menor histórico de desempenho.

Nesta quinta-feira, 24, a Caixa Seguridade, subsidiária da Caixa Econômica Federal, anunciou a suspensão de seu IPO pela segunda vez, enquanto a BR Partners, que prometia uma grande oferta inicial, desistiu da abertura por falta de interessados em pagar o valor pedido pelos acionistas. Salvou-se do fechamento da janela de oportunidade a Hidrovias do Brasil, que concluiu o IPO e vai estreou na B3 nesta sexta-feira com o código de ação HBSA3.

O impacto nas ofertas da retração dos investidores não está só nos cancelamentos, mas também na redução dos valores obtidos pelas empresas. A Melnick, da Even, fixou na quinta-feira o preço por ação de seu IPO em R$8,50, no piso da faixa indicativa, que era entre R$8,50 e R$12,50. A construtora estreia na B3 na segunda-feira. E não são apenas as estreantes que sofrem. Nesta sexta-feira, a Santos Brasil anunciou que fechou sua oferta subsequente captando R$790 milhões, bem menos que o R$1,35 bilhão estimados inicialmente.

Mercado inflado prejudica entradas na B3

Com o BNDES mais restrito em suas linhas de crédito, as taxas de juros baixas e os investimentos de renda fixa rendendo menos, o mercado acionário se aqueceu. São cerca de 60 pedidos de registro de IPO na Comissão de Valores Mobiliários apenas em 2020, dos quais 40 ainda aguardam aprovação e o melhor momento para irem a mercado.

O mercado inflado sofre, assim, com a volatilidade dos preços.  A Cury, código CURY3, estreou no mercado nesta segunda-feira, 21, chegando a ter queda de 6,74%. Entretanto, a empresa conseguiu reverter e fechou seu primeiro dia com alta de 1,18%. O preço da IPO de R$9,35, decidido na última quinta-feira, 17, ficou abaixo do indicado, de R$14,30.

Já as ações da Lavvi, ticker LAVV3, fecharam seu primeiro dia na bolsa com queda de 5,26% no começo do mês. O retorno ao investidor foi de -15,26%, segundo a Economatica.

A sinalização é que o mercado não vai tomar todas as ofertas que aparecerem, tornando-se cada vez mais seletivo, apesar do cenário positivo para as bolsas no médio prazo e a grande liquidez por conta dos juros baixos.

“O investidor vê o movimento da bolsa e fica mais cauteloso”, diz um executivo do mercado que pediu para não ter seu nome citado. O ambiente de mercado mais difícil, por sua vez, tende a tornar mais seletivas as ofertas, com os bancos organizadores buscando as empresas com maior potencial para oferecer aos investidores, que também devem tomar mais cuidado.

Um longo caminho até o IPO

A oferta pública inicial, também conhecida pela sigla em inglês IPO, marca a entrada da empresa na Bolsa de Valores. Após a venda em oferta pública, os papéis da empresa passam a ser negociados no pregão da bolsa pelos acionistas compradores. Os IPOs podem ser primários, quando a venda é de novas ações e capitalização da empresa, ou secundários, quando os sócios da companhia vendem ações já existentes.

Quando a empresa abre o capital na bolsa, os donos precisam dividir as decisões e prestar contas aos demais acionistas, que passam a ter representantes no Conselho e participam das assembleias. A empresa precisa também fornecer informações periódicas para o mercado, como seu desempenho e como será usado o dinheiro captado. Ela se compromete a divulgar todos os fatos relevantes que envolvem o negócio ou a gestão da empresa e que interessem aos acionistas e ao mercado em geral.

A legislação exige alguns passos antes de fazer o IPO. Primeiro, a empresa deve se submeter a uma auditoria externa financeira e preparar os roadshows, reuniões com o objetivo de apresentar os negócios aos potenciais investidores. Então, o registro de companhia aberta classe A, que permite ações em bolsa, deve ser feito na Comissão de Valores Mobiliários, CVM. É preciso providenciar também a listagem na bolsa B3.

Depois, a empresa faz um documento chamado de prospecto, que contém todas as informações sobre o negócio e a oferta, incluindo os objetivos dos recursos, perspectivas de mercado e os riscos do negócio. Com isso, chega o período de reserva, prazo de alguns dias para os investidores pedirem as ações junto aos bancos e corretoras que participam da oferta. Em muitos casos, as empresas definem prazos para os investidores venderem as ações após a oferta, para evitar os chamados flippers, que são investidores que compram as ações para vendê-las no primeiro dia de negociação apostando na alta dos papéis.

O processo de venda da oferta inicial é chamado de bookbuilding, que indica o volume de interesse pelos papéis e o preço que os investidores estão dispostos a pagar. Depois de todo esse processo, as ações são entregues aos investidores e chega o dia da estreia da empresa na Bolsa. O desempenho dos papéis neste dia indica como o mercado recebeu a nova companhia.

Empresas desistem de estrear na Bolsa

A Caixa Seguridade, segmento de seguros da Caixa Econômica Federal, informou nesta quinta-feira, 24, que desistiu do IPO “em razão da atual conjuntura do mercado”. É a segunda vez que a Caixa cancela a operação. A oferta secundária inicialmente estava entre R$12 bilhões e R$15 bilhões e minguou para R$10 bilhões pela Caixa na última semana. De acordo com O Globo, a Caixa pretende voltar com o processo de IPO ainda este ano.

Mas a Caixa Seguridade não está sozinha. A BR Partners também suspendeu o IPO nesta quarta-feira, 23. A estreia no Novo Mercado da B3 estava marcada para esta sexta-feira. A empresa pretendia levantar R$885,8 milhões com o IPO, mas a baixa demanda culminou no cancelamento da oferta. Segundo o Valor Econômico, a empresa estima retomar a oferta quando o mercado melhorar.

IPOs no Novo Mercado

Mesmo com o mercado de ações mais seletivo, algumas empresas veem os IPOs como oportunidade de levantar capital. A Hidrovias do Brasil, ticker HBSA3, realiza seu IPO nesta sexta-feira, 25. Ela se torna a 151ª companhia listada no Novo Mercado da B3. As ações da empresa de logística foram precificadas a R$7,56.

Para quem quiser saber mais sobre as ofertas iniciais, o TC School preparou um e-book sobre os IPOs.

Texto: Letícia Matsuura / Edição: Angelo Pavini e Ana Carolina Amaral / Imagem: divulgação.

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