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Brasil repercute Copom dócil, Vale, Bradesco e Petrobras; bolsas aliviam quedas: Espresso

Postado por: TC Mover em 29/10/2020 às 8:16
Como o dia promete ser intenso em termos de indicadores, eventos e balanços, achamos prudente iniciar o nosso Espresso com a agenda, antes de tocar no fundamental.

São Paulo, 29 de outubro – Como o dia promete ser intenso em termos de indicadores, eventos e balanços, achamos prudente iniciar o nosso Espresso com a agenda, antes de tocar no fundamental. 

O pregão de quinta-feira começou com a decisão de política monetária do Banco do Japão, que hoje justificou a manutenção de um regime de juros e de liquidez extra-frouxo após piorar ainda mais as perspectivas para a economia neste ano. 

Daqui a pouco, os holofotes se voltam para o banco central da Zona do Euro, o sempre dócil Banco Central Europeu, que deve reafirmar sua intenção de manter as condições acomodatícias por um tempo mais longo na esteira da escalada de infecções por coronavírus na região. 

O que o investidor quer saber é se há mais estímulos adicionais a serem anunciados. O comunicado sai por volta das 09h45 e, às 10h30, a presidente da autarquia, Christine Lagarde, concede coletiva. O dado de sentimento do consumidor na Zona do Euro mostrou avanço sequencial em outubro, com o desempenho bem em linha com as expectativas. 

Entre os indicadores, a primeira estimativa do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos no terceiro trimestre deste ano deve reverter quase completamente o tombo visto nos três meses anteriores. Como se fosse pouco, pois o dado sai às 09h30, teremos simultaneamente os pedidos semanais de seguro-desemprego feitos no país. Esse número sempre alimenta a volatilidade no pregão. Às 11h00, serão divulgadas as vendas pendentes de imóveis residenciais americanos em setembro. 

Já no âmbito corporativo, teremos os resultados trimestrais das gigantes do setor de tecnologia Facebook, Apple, Alphabet e Amazon no fim da tarde. Por aqui, B2W, Lojas Americanas e Ambev – que teve um desempenho bem acima das projeções no terceiro trimestre – são os destaques. 

Em matéria econômica, o IGP-M e a confiança do setor de serviços de outubro atraem as atenções do investidor preocupado com a retomada econômica e a disparada da inflação. 

Como entramos na questão dos preços, vamos, agora sim, tocar nos assuntos mais relevantes que o mercado deve repercutir hoje no cenário local. 

Finalizado o primeiro bate-papo virtual do nosso contribuidor Pedro Albuquerque com a nossa base de assinantes, o Albucast, nós, editores da TC Mover, discutimos com ele e outros membros experientes da comunidade a decisão de juros do Banco Central do Brasil de ontem.

O comitê de política monetária do BCB decidiu, por unanimidade, manter inalteradas a taxa básica Selic em 2,00% e a orientação futura do regime – isso é, de deixar o juro baixo até que o cenário ameace o cumprimento das metas. 

Ficamos todos apreensivos com a atitude do BCB de não fechar as portas para mais cortes na Selic. Contudo, mesmo sendo essa a tendência, o mercado não necessariamente deve reagir mal à decisão. 

O investidor também pondera o prejuízo bilionário inesperado da Petrobras, mas que teve desempenho operacional satisfatório, o resultado mais forte que o esperado da Vale, e o temor entre executivos do Bradesco de uma alta na inadimplência futura. Fique de olho nas teleconferências das três gigantes, que acontecem agora de manhã. 

O investidor precisa agir com cautela. Depois de uma quarta-feira para esquecer, que teve derretida global nos ativos de riscos, ruídos políticos, resultados e muita coisa para resolver, nós, editores dessa newsletter, encontramos com alguns traders em um barzinho perto do nosso escritório. 

Um deles, da corretora Renascença, nos disse que há meses não sentia que era tão importante ser cauteloso no pregão. A volatilidade está difícil de gerir, a proximidade da eleição presidencial nos EUA está deixando tudo mais turvo e a falta de discursos mais contundentes na questão fiscal estão deixando o mercado arredio, disse o trader. 

Após a pior queda generalizada das bolsas em quatro meses, os futuros dos índices acionários americanos voltam a respirar na manhã desta quinta. Os contratos do S&P500, Dow Jones e Nasdaq Composto vincendos em novembro apontam para uma abertura em alta, enquanto o dólar avança ligeiramente ante pares e os rendimentos dos Treasuries operam estáveis. Testes de tratamento da Regeneron contra a Covid-19 em estágio final podem dar um alento extra ao sentimento.

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