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Bruno Serra defende ritmo de ajuste da política monetária

Postado por: TC Mover em 10/08/2021 às 17:59
Bruno Serra defende política monetária

Brasília, 10 de agosto  – O diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, classificou nesta terça-feira, 10, como “bastante adequado” o atual ritmo de ajuste da política monetária. O Copom, comitê decisório, elevou na semana passada a taxa básica de juros, conhecida como taxa Selic em 100 pontos-base, a 5,25%. Além disso, a autarquia indicou novo aperto da mesma magnitude na decisão de setembro.

“Pela última ata, teve uma sinalização bastante clara de manutenção desse ritmo, que é um ritmo bastante tempestivo, bastante forte, de ajuste dos estímulos monetários para a próxima reunião”, afirmou em videoconferência promovida pelo Goldman Sachs.

Divulgada nesta terça-feira, a ata da mais recente decisão de juros do Copom confirmou o tom duro do comunicado da semana passada e reafirmou a necessidade de seguidas elevações de juros para preservar não só a meta de inflação de 2022, mas também a de 2023.

Ajuste de juros ocorreram para inflação ficar na meta, diz Bruno Serra

Ainda de acordo com Bruno Serra, as taxas de juros serão ajustadas para alcançar a meta de inflação no horizonte relevante da autoridade monetária. Ao tratar do tema, o diretor classificou como “mais persistente” o choque inflacionário observado, apesar de vê-lo como temporário.

“Esse cenário se torna ainda mais desafiador neste momento em que estamos reabrindo a economia”, complementou. De acordo com ele, a política monetária, no atual estágio, encontra-se mais preocupada com a dinâmica inflacionária do que com o cenário externo.

Na esteira dos comentários, Bruno Serra também alertou para a possibilidade de recomposição dos preços no setor de serviços, em meio à reabertura da atividade. Nesta terça-feira, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor, IPCA, subiu 0,96% em julho, acumulando alta de 8,99% em 12 meses, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Fiscal é um dos fatores de volatilidade de câmbio, segundo diretor do Copom

Ao comentar a trajetória do real, Bruno Serra destacou que desafios fiscais no país constituem um dos fatores de volatilidade ao câmbio. “Se a volatilidade está alta, tem alguma razão. Eu mencionei algumas, mas pode ser que seja, simplesmente, a incerteza fiscal (…). Acho que a gente tem que saber disso, e as medidas têm que ser tomadas, os remédios têm que ser dados, para resolver os problemas. Tem que atacar o problema fiscal no país”, pontuou.

No acumulado do ano, o real apresenta desvalorização de 0,17% contra o dólar, constituindo sexto melhor desempenho ante a divisa americana, em uma cesta de 21 moedas observadas pela Mover.

Bruno Serra também destacou que a autoridade monetária está mais cautelosa em relação ao crescimento econômico no ano. De acordo com o mais recente Relatório Trimestral de Inflação, de junho, o Banco Central projeta alta do Produto Interno Bruto de 4,60% em 2021, ante a mediana do mais recente boletim Focus, de avanço de 5,30%.

Texto: Gabriel Ponte
Edição: Beatriz Amaral e Letícia Matsuura
Arte: Mover


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