Mover

Campos Neto vê desaceleração e nega Copom dividido em janeiro

Postado por: TC Mover em 11/02/2021 às 15:37
Campos Neto

São Paulo, 11 de fevereiro – O Banco Central vê desaceleração econômica na margem e avalia que o fim do auxílio emergencial pode ter um impacto mais forte no crescimento do país do que o esperado, disse o presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, em evento online promovido pelo JPMorgan.


Declarações do presidente foram vistas como estimulativas

Para Campos Neto, a comunicação na última ata do Comitê de Política Monetária, Copom, de que dois membros estariam inclinados para a alta da taxa básica de juros, a taxa Selic, não foi um sinal ao mercado, mas um movimento de transparência, já antecipando a autonomia da autoridade, aprovada ontem pela Câmara.

Campos Neto foi até mais longe, dizendo que o mercado entendeu equivocadamente a nota, e que eles defenderam uma alta da Selic para março, não em janeiro. “Usei todos os eventos que tive para comunicar claramente que esse não era o caso, que as pessoas estavam falando de março”, destacou.

Essas declarações foram consideradas estimulativas, prevendo que a autarquia pode segurar uma alta da taxa Selic. Logo após as falas de Campos Neto, o dólar zerou as perdas e os juros futuros, DIs, passaram a cair, mas por volta das 15h35 voltaram a subir no máximo 4 pontos-base, com exceção do contrato de juro para 2022, que caía 1,5 pontos-base.

Nova rodada do auxílio precisa de contrapartidas fiscais, diz Campos Neto

Na palestra, Campos Neto, porém, enfatizou que a meta da autarquia é a inflação e a alta dos preços das commodities está contaminando os preços dos alimentos e até mesmo de outro setores. Segundo ele, a autoridade está acompanhando de perto a evolução dos preços e considera as próximas duas a três semanas muito importantes para traçar o cenário inflacionário.

O chefe do BC reiterou que a nova rodada de auxílio emergencial precisa de contrapartidas fiscais sob pena da ajuda ter efeito oposto. “Um pacote que leve a uma deterioração da situação fiscal pode levar a um desalinhamento de preços que pode afastar investimentos. Então pode ocorrer o resultado contrário, de contração da economia”, disse Campos Neto.

Por outro lado, disse que uma melhora da situação das contas públicas “terá impactos nas nossas decisões”. Para Campos Neto, há uma janela de oportunidade para o avanço das reformas.

Texto: Bárbara Leite
Edição: Guilherme Dogo e João Pedro Malar
Arte: TC Mover


Leia também

Klabin (KLBN11) vê ano favorável para celulose e avalia títulos verdes em SC

Suzano (SUZB3) prevê choque em demanda por celulose com restrições à oferta

Vieira: Projetos pró-auxílio indicam que agenda social veio para ficar

Mover Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Saiba Mais