Mover

Copom e Selic: tudo o que você precisa saber sobre a taxa básica de juros

Postado por: TC Mover em 27/10/2020 às 15:17
O assunto desta semana nos mercados financeiros é a taxa básica de juros e a reunião do Copom, Comitê de Política Monetária do Banco Central, que começou hoje e terminará amanhã com a divulgação da nova meta para a Selic.

São Paulo, 27 de outubro – O assunto desta semana nos mercados financeiros é a taxa básica de juros e a reunião do Copom, Comitê de Política Monetária do Banco Central, que começou hoje e terminará amanhã com a divulgação da nova meta para a Selic. Mas você sabe o que é o Copom, a Selic e quais as suas funções para a economia do país?

O Comitê de Política Monetária está diretamente ligado à taxa básica da economia, chamada de taxa Selic. É ele quem define a meta da Selic, além de outras questões que impactam a economia brasileira e mexem diretamente no seu bolso e seus investimentos. Confira.

O que é o Copom do Banco Central

Criado em junho de 1996, Copom é a abreviação de Comitê de Política Monetária e está vinculado ao Banco Central. O comitê tem como objetivo regular aspectos importantes da economia brasileira, entre os principais, a inflação, por meio da taxa de juros. 

Por meio da Selic, o Banco Central busca cumprir a meta de inflação anual estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Caso haja risco de a inflação superar a meta do ano, que tem um intervalo de tolerância de 1 ponto percentual para cima ou para baixo, o Copom buscará subir os juros para desaquecer a economia. Se a inflação estiver abaixo do piso da meta, o Copom buscará aquecer a economia reduzindo os juros da Selic. Assim, as decisões do Copom impactam diretamente a rotina e os investimentos dos brasileiros.

O Comitê de Política Monetária do Brasil foi inspirado no americano Federal Open Market Committee (FOMC) e no alemão Central Bank Council. Autoridades monetárias do mundo todo criaram comitês parecidos, a fim de padronizar suas práticas econômicas e torná-las mais transparentes.

Quais são as funções do Copom

Assim como em outros países, no Brasil, o Copom foi criado como uma solução para regular a liquidez da economia e garantir o poder de compra do real, de modo que esse processo seja mais transparente e eficaz. De acordo com o Banco Central, as principais funções do Copom são: estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a meta para a taxa básica de juros Selic.

Quem faz parte do Comitê de Política Monetária – Copom

O comitê de política monetária do Banco Central deve manter a taxa básica de juros Selic em 2,00% nesta quarta-feira, menor patamar da história, diante da incerteza elevada sobre os rumos das contas públicas, segundo avaliação unânime entre 13 economistas ouvidos pela TC Mover

O Comitê de Política Monetária é formado pelo presidente do Banco Central e alguns de seus diretores, além de outros chefes de departamentos do banco ligados à economia. São eles:

Equipe do Banco Central

                    Presidente;

                    Diretor de Política Monetária;

                    Diretor de Política Econômica;

                    Diretor de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos;

                    Diretor de Organização do Sistema Financeiro e Controle de Operações do Crédito Rural;

                    Diretor de Fiscalização;

                    Diretor de Regulação;

                    Diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania;

 

                    Diretor de Administração.

Outros agentes ligados à economia

                    Deban – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos;

                    Demab – Departamento de Operações do Mercado Aberto;

                    Depec – Departamento Econômico;

                    Depep – Departamento de Estudos e Pesquisas;

                    Depin – Departamento das Reservas Internacionais;

 

                    Derin – Departamento de Assuntos Internacionais.

Reunião do Copom: o que acontece em cada dia

As reuniões do Copom eram mensais até 2005, quando passaram a acontecer a cada 45 dias, ou seja, oito vezes ao ano, coincidindo com as do Federal Reserve. Além das reuniões ordinárias, caso se faça necessário, o Copom pode ter reuniões extraordinárias.

O processo da reunião do Copom leva dois dias. Na primeira sessão, é apresentada uma análise técnica pelos chefes de departamento. Na segunda sessão, os membros do Comitê definem por votação a meta da taxa Selic.

Após o término do segundo dia de reunião, a partir das 18h00, é divulgado um comunicado com a decisão da Selic e os principais motivos do Copom. As atas das reuniões, com mais detalhes das discussões, ficam disponíveis no site do Banco Central às 8h00 da terça-feira da semana seguinte à reunião.

1º dia da reunião do Comitê de Política Monetária

No primeiro dia da reunião do Copom, alguns membros do Banco Central e chefes de departamento apresentam análises técnicas sobre os mais diversos aspectos econômicos, como dados do sistema bancário; aspectos da inflação; nível de atividade; economia internacional; política fiscal; e mercado de câmbio.

2º dia da reunião do Comitê de Política Monetária - Copom

No segundo dia da reunião, os membros analisam todos os dados apresentados no dia anterior, além de outras informações que possam interferir na economia, e avaliam quais serão os próximos passos.

Os membros debatem sobre o panorama apresentado e votam pelo corte, aumento ou manutenção da taxa Selic. E elaboram o texto do comunicado que acompanha a decisão.

Qual a relação entre o Copom e a taxa Selic?

A principal função da reunião do Copom é a definição da taxa Selic que os participantes acreditam ser necessária para manter a inflação dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. A partir da taxa Selic são calculadas outras taxas de juros, como as aplicadas em empréstimos e financiamentos. Desta forma, a Selic influencia no preço dos produtos, na circulação da moeda, no consumo e no mercado de investimentos.

De acordo com a decisão do Copom em relação à Selic, é possível concluir que:

Ao aumentar a taxa Selic, o objetivo do Copom é de desacelerar a economia, uma vez que o preço do crédito fica mais caro e desestimula as pessoas a gastarem. Isso impede o aumento da inflação.
Ao baixar a Selic, o Copom tem o objetivo de estimular o consumo, tendo em vista que, com a Selic baixa, o acesso a crédito fica mais barato, o que aquece a economia e aumenta a inflação quando ela está abaixo da meta.

Meta da taxa Selic

O que o Copom estabelece é a meta da taxa de juros Selic para o período até a próxima reunião. Uma vez definida essa meta, o Banco Central, por meio de sua mesa de mercado aberto, vai atuar todos os dias no mercado, tomando e doando dinheiro dos bancos, fundos e investidores para que o juro diário, chamado também de overnight Selic, fique dentro do objetivo definido pelo Copom. 

Se houver excesso de recursos, o BC atuará vendendo títulos do Tesouro de sua carteira para enxugar o mercado e puxar a taxa. Caso contrário, se o juro subir acima da meta, o BC comprará títulos do mercado pela taxa Selic, injetando recursos no sistema e baixando os juros. 

Qual é a taxa Selic hoje?

Com um histórico de quedas, a taxa Selic atual, de 2,0% ao ano, é a menor desde 1997. A taxa sofreu nove quedas consecutivas e, desde julho de 2015, não aumenta.

Diminuir a meta da taxa Selic é um estímulo para a economia brasileira. Com os juros baixos, os rendimentos das aplicações diminuem e a vontade de poupar se reduz. As taxas dos bancos também caem, o que torna os empréstimos e financiamentos de bens mais atrativos. 

Com mais dinheiro em circulação, o consumo aumenta e aquece o mercado. Essa demanda maior aumenta a atividade nas empresas e com ela o emprego e a renda. O risco é um aumento exagerado do consumo, que pode levar a desabastecimento e alta nos preços, o que faz aumentar a inflação.

Como a taxa Selic afeta seus investimentos

Além das suas funções no controle da inflação e na influência das taxas de juros das operações financeiras, a Selic também tem impacto na taxa de remuneração de diversos investimentos. Sendo assim, as alterações na Selic impactam diretamente a rentabilidade de alguns produtos financeiros. Entenda cada um deles.

Caderneta de Poupança

O rendimento da poupança está diretamente ligado às mudanças na Selic. Funciona assim:

– Se a Selic ficar acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% sobre o valor depositado + Taxa Referencial (TR).

– Se a Selic ficar abaixo ou igual a 8,5% ao ano, a poupança rende 70% da Selic + Taxa Referencial (TR).

Isso significa que se a taxa Selic estiver baixa, como é o caso no momento, o rendimento da poupança cai.

Tesouro Selic

O Tesouro Selic, ou Letra Financeira do Tesouro, é um título público que possui a rentabilidade atrelada à Selic. Por isso, quando a Selic está baixa, o rendimento desse título cai. Assim como, quando a taxa está alta, o Tesouro Selic apresenta bons rendimentos.

Investimentos em Renda Fixa

Boa parte dos investimentos em renda fixa têm sua rentabilidade atrelada ao CDI, Certificado de Depósito Interbancário, que, por sua vez, é impactado diretamente pela Selic. Sendo assim, investimentos como CDBs, LCIs, LCAs e LCs, que possuem rentabilidade atrelada ao CDI, sofrem com a baixa da taxa Selic.

Se você quer entender mais sobre o que é a taxa Selic e como ela impacta na sua vida, confira: Taxa Selic: o que é, quem define e como afeta o seu dinheiro.

Texto: Ana Carolina Amaral

Edição: Angelo Pavini

Arte: TC Mover

Mover Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Saiba Mais