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Especial: Copom pode matar orientação com inflação em alta

Postado por: TC Mover em 05/05/2021 às 12:36
Reunião do Copom

São Paulo, 5 de maio – O Comitê de Política Monetária do Banco Central, conhecido como Copom, termina hoje sua reunião de dois dias. A expectativa é que eleve a taxa básica de juros, a taxa Selic, em 0,75 ponto percentual. Além disso, a autarquia pode adotar um tom mais duro no comunicado que acompanha a decisão, refletindo uma inflação que não dá trégua e matando a a orientação futura.


Taxa Selic de 3,50% ainda manteria política monetária acomodatícia, segundo mercado

A estimativa unânime de 16 economistas consultados pela TC Mover é de uma taxa Selic de 3,50% na quarta-feira, quando a decisão será divulgada. Todos dizem que a taxa, nesse novo nível ainda manterá a política monetária acomodatícia. Uma pequena parte, porém, não descarta uma surpresa e vê chances de a Selic subir para 3,75%, que mostraria para o mercado preocupação da autarquia com a inflação alta.

Desde a última reunião do Copom, a pandemia piorou e depois deu sinais graduais de melhora. A inflação continuou elevada e acima do teto da meta, as expectativas de inflação pioraram e as condições financeiras permaneceram relativamente estáveis.

O emprego formal pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, Caged, o dado que o Banco Central segue, continua em alta e já gera mais de 800 mil vagas no ano. O ruído político se mantém, e as perspectivas macroeconômicas locais continuam incertas e com um perfil de risco desconfortável, na opinião dos economistas.


Economistas acreditam que o Copom sinalizará alta menos intensa em junho

“Acreditamos que o cenário de inflação e seu balanço de riscos deverá levar a taxa Selic para um nível um pouco mais elevado”, disse Flávio Serrano, economista-chefe e sócio da Greenbay Investimentos. Ele tem, como cenário base, mais três altas de 0,75 ponto percentual, seguidas por um movimento de meio ponto, encerrando o ano em 5,50%.

Apesar de deixar a porta aberta a novas altas da taxa Selic, 11 economistas ouvidos pela TC Mover acreditam que o Banco Central sinalize um ritmo menos intenso de aumento em junho. Para economistas do JPMorgan, o mais provável é que o Banco Central sugira uma elevação de apenas 0,50 ponto percentual na próxima reunião do Copom, em 16 de junho. Especialistas, como o gestor e ex-funcionário do BC Sergio Goldenstein, defendem que o comitê não antecipe o ritmo de alta na Selic para a reunião de junho – como fez em março.


Termo “normalização parcial” pode cair neste comunicado do Copom

Para os economistas, o comitê deve focar seu comunicado nos seguintes pontos: a natureza desigual e incompleta da recuperação econômica; a queda na confiança de empresários e consumidores; a deterioração nos dados de atividade manufatureira e de serviços; a melhora incipiente no mercado de trabalho; e a aceleração na inflação anual e nos núcleos, por conta da base de comparação baixa e o aumento dos combustíveis.

No entanto, o comunicado do Copom desta quarta, que sairá a partir das 18h30, deve trazer ao menos duas novidades. Segundo os economistas consultados, há uma probabilidade relativamente alta de que caia a expressão “normalização parcial”, adotada em março para definir o ciclo de elevação dos juros. Isso indicaria aumentos mais agressivos ao longo do ano. Ao mesmo tempo, sugeriria que a política monetária ainda se manteria estimulativa, porém, não extraordinariamente estimulativa.


Orientação atual pode morrer com a persistência da inflação, diz economista

Além disso, o comitê pode reconhecer uma deterioração do balanço de riscos. Para Alberto Ramos, economista-chefe do Goldman Sachs, o comitê “pode julgar prudente apenas afirmar que ‘salvo alteração significativa nas projeções de inflação ou no balanço de riscos, o Copom prevê a continuidade do processo de normalização’ e a usual ressalva clichê de que a decisão de junho dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”.

Com isso, morreria a segunda orientação futura feita pelo Copom em seus comunicados. Em agosto, introduziu a prescrição futura de manter a Selic estável em 2,00% por um período prolongado. Acabou eliminando-a na reunião de dezembro.

Há motivos para pensar que a orientação atual possa cair. Para a economista Solange Srour, do Credit Suisse, a inflação no Brasil não parece tão temporária, como defende o Banco Central, citando a pressão nas contas públicas, a alta do dólar em 11 dos últimos 14 meses, a deterioração das expectativas para a inflação e o rali das commodities.

Texto: Bárbara Leite
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Letícia Matsuura
Arte: Vinícius Martins / TC Mover


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