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Copom surpreende com Selic a 2,75% e promete 3,50% em maio

Postado por: TC Mover em 17/03/2021 às 20:49
Copom

São Paulo, 17 de março – O Comitê de Política Monetária, Copom, surpreendeu os mais pessimistas do mercado. A autarquia aumentou a meta para a taxa básica Selic em 0,75 ponto percentual, para 2,75% ao ano, indicando ainda outro aumento na mesma magnitude na próxima reunião. Com isso, a taxa deve subir para 3,5% em 5 de maio. Contudo, a maioria do mercado esperava uma alta mais modesta, de meio ponto percentual, para 2,50%, considerando a expectativa de desaceleração da atividade com a piora da pandemia e novas restrições de atividade, em um movimento de ajuste dos juros mais suave.


Alta rápida dos juros vai garantir cumprimento da meta da inflação, segundo comunicado

Porém, prevaleceu o conservadorismo do Banco Central, diante da piora das expectativas de inflação no mercado e do aumento dos riscos externos e locais. No comunicado que acompanha a decisão, o Copom deixou claro que a alta mais rápida dos juros vai garantir o cumprimento da meta de inflação deste ano e deve provocar ainda uma redução dos juros de mais longo prazo. O resultado deve ser visto já amanhã nos mercados futuros de DI, com alta nas taxas longas e queda nas curtas e no dólar, com a valorização do real.

Como o cachorro mordido por cobra que tem medo de linguiça, o Brasil tem medo da alta dos preços após décadas de hiperinflação. Assim, qualquer sinal de aceleração dos preços em uma economia ainda altamente indexada dispara o alarme e exige atuação rápida do BC. “O BC escolheu o caminho de fazer um ajuste mais rápido, o que é bom, mas ele pode ser surpreendido com uma atividade mais fraca”, diz um executivo do mercado. Apesar da alta, porém, o juro básico no Brasil está ainda bastante negativo. Está bem abaixo das projeções de inflação, que apontam para mais de 4% este ano.


Além da inflação, Copom justificou nova Selic com alta das commodities e dólar

O Copom justificou a decisão citando a retomada de atividade nos países desenvolvidos com a consequente alta da inflação e dos juros, o que reduz a liquidez para os países emergentes. Também citou a alta recente das commodities e do dólar, apesar de considerar que essa pressão é temporária. Porém, o comitê observou que indicadores de inflação subjacente apontam para números acima do intervalo da meta. Somado a isso, o Copom cita ainda a retomada da economia, que não exigiria mais os estímulos monetários extraordinários. Ao mesmo tempo, as projeções de inflação subiram para níveis próximos ao limite superior da meta em 2021.

O comunicado praticamente define outro ajuste de 0,75 ponto na próxima reunião ao afirmar que “a menos de uma mudança significativa nas projeções de inflação ou no balanço de riscos, o comitê antevê a continuação do processo” com “outro ajuste da mesma magnitude”. Para o Copom, um ajuste “mais célere” dos juros reduzirá a probabilidade de não cumprimento da meta de inflação deste ano. Além disso, manterá a ancoragem para os horizontes mais longos, o que significará queda para as taxas de juros de longo prazo.

Texto: Angelo Pavini
Edição: Leandro Tavares e Letícia Matsuura
Arte: TC Mover


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