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Debate tumultuado nos EUA, Renda Cidadã pautam pregão; no radar, política: Espresso

Postado por: TC Mover em 30/09/2020 às 7:52
Hoje acaba o terceiro trimestre e o balanço não deve ser muito positivo para o investidor local: entre 1 de julho e 29 de setembro, o Ibovespa acumula queda de 2,25%, o dólar se valoriza 4,17% e o juro do contrato do DI para janeiro de 2022 abre 30 pontos-base.

Hoje acaba o terceiro trimestre e o balanço não deve ser muito positivo para o investidor local: entre 1 de julho e 29 de setembro, o Ibovespa acumula queda de 2,25%, o dólar se valoriza 4,17% e o juro do contrato do DI para janeiro de 2022 abre 30 pontos-base.


Os motivos para esse desempenho decepcionante são variados, alguns fora do nosso controle, outros culpa nossa. Por um lado, o ressurgimento dos casos de coronavírus em algumas das economias mais importantes do planeta, assim como a proximidade da eleição presidencial americana pisaram no freio da retomada dos ativos de risco.


A épica recuperação das bolsas globais no segundo trimestre deixou alguns grandes investidores receosos dos múltiplos em setores como tecnologia – cujas ações, no final, terminaram revertendo parte dos ganhos aferidos desde abril.


Por aqui, a melhora na popularidade do presidente Jair Bolsonaro se traduziu em uma maior ambiguidade do seu governo quanto à disciplina fiscal.

O resultado? Propostas populistas, enfraquecimento do ministro da Economia Paulo Guedes e do seu programa de ajuste fiscal e medo de que um delírio presidencial leve à perda da confiança e da âncora cambial em um cenário de política monetária frouxa.


A reação inicial negativa ao financiamento do programa Renda Cidadã, substituto para o Bolsa Família, pode fazer o governo mudar a proposta; porém, o investidor teme que o debate sobre como impulsionar o crescimento e o emprego em 2021, na esteira do fim do auxílio emergencial contra o impacto da Covid-19, se estenda para além da eleição municipal de novembro e da votação do Orçamento de 2021, em dezembro. 


O mercado dificilmente entrará em modo zen nos próximos dias. Oportunidades na bolsa sempre há, mas a insistência de Bolsonaro em manter o alicerce do programa intacto deve estressar ainda mais os ativos locais.


Fique de olho na repercussão dos comentários do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, que ontem tentou passar a mensagem de que o Renda Cidadã vai fazer a popularidade de Bolsonaro crescer, garantindo apoio social às reformas. Na nossa visão, ao politizar a discussão, fica a impressão de que o governo acredita que o fim justifica os meios. Esperemos que esses comentários não façam preço hoje.


Entre os destaques de hoje, o Supremo Tribunal Federal continua o julgamento da ação contra a privatização das refinarias da Petrobras – será que a Corte reverte o placar de três votos contra? A conferir.


O Congresso analisa os vetos presidenciais ao Marco Geral do Saneamento e à desoneração da folha de pagamentos. Na agenda econômica, fique de olho nos dados de desemprego de julho, e dos resultados fiscais e o Caged de agosto.


Mundo afora, PIB do Reino Unido e a repercussão do debate presidencial de ontem nos Estados Unidos são destaques.

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