Mover

Descolado do exterior azedo, Brasil muda foco para Copom; no radar, balanços: Espresso

Postado por: TC Mover em 27/10/2020 às 8:58
O Ibovespa e o câmbio seguraram bem o tombo nos mercados globais ontem, quando as bolsas em Nova Iorque e na Europa repercutiram a força da segunda onda da Covid-19 que está fechando de novo algumas das economias mais ricas do planeta.

São Paulo, 27 de outubro – O Ibovespa e o câmbio seguraram bem o tombo nos mercados globais ontem, quando as bolsas em Nova Iorque e na Europa repercutiram a força da segunda onda da Covid-19 que está fechando de novo algumas das economias mais ricas do planeta. 

Se o Ibovespa irá defender o nível dos 101 mil pontos e o dólar se manterá por volta dos R$5,60, não sabemos, mas o mercado local deve com certeza agora mudar o foco para a decisão de juros do Banco Central do Brasil, que está programada para sair amanhã após o fechamento do mercado. 

O comitê de política monetária da autarquia deve manter a taxa básica de juros Selic em 2,00%, menor patamar da história, diante da incerteza elevada sobre os rumos das contas públicas, segundo avaliação unânime entre 13 economistas ouvidos pela TC Mover. 

Eles também esperam que o comitê conhecido como Copom mantenha a chamada orientação futura de que os juros continuarão no piso enquanto as projeções de inflação não se aproximarem das metas para 2021 e 2022.

Não queremos nos estender no assunto, mas o nosso consenso acha que o comitê conhecido como Copom pode retirar a menção de um espaço residual para cortes na Selic. 

Para Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs, o Copom, na mais otimista das hipóteses, “pode optar por refinar a linguagem e, assim, sugerir probabilidade menor de cortes adicionais”; contudo, o trecho pode eventualmente ser removido do documento, disse. 

Entre os investidores, existe o temor de que os ruídos em relação às contas públicas, o recente choque nos preços dos alimentos, as preocupações persistentes com relação à dinâmica e à volatilidade cambial, os fluxos da conta de capitais da balança de pagamentos, as pressões de financiamento do Tesouro Nacional, a situação fiscal de médio prazo e a postura fiscal expansionista de curto prazo levem o Copom, no limite, a retirar essa orientação futura do comunicado. O prêmio embutido na curva de juros atual, inclusive, mostra que o mercado precifica uma elevação de juros neste ano, para controlar a inflação. 

Entre os destaques para essa terça-feira, o Tesouro Nacional divulga o Relatório Mensal da Dívida Pública de setembro e faz oferta de NTN-Bs com vencimentos em 2025, 2035, 2045 e 2055. O BCB oferta até 12 mil contratos de swap para rolagem, enquanto o investidor repercute os comentários do ministro da Economia Paulo Guedes sobre as privatizações – culpou os arranjos políticos existentes pelas demoras, e também pediu paciência do eleitor pelos comentários do presidente Jair Bolsonaro. Paciência… 

Nos Estados Unidos, os destaques da agenda econômica incluem pedidos de bens duráveis de setembro preliminares e o indicador Conference Board de confiança do consumidor de outubro. 

No lado corporativo, o balanço da Petz, de ontem à noite, e o do Santander Brasil, hoje de manhã, atraem os holofotes. O braço brasileiro do banco espanhol mostrou números muito sólidos no trimestre – que podem ditar o rumo dos bancos no pregão. Soltamos as prévias TC de setor financeiro não-bancário, Vale e Petrobras para o terceiro trimestre no seu terminal – e as perspectivas não estão nada ruins.

Mover Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Saiba Mais