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Dia decisivo para voltar a acreditar em Bolsonaro; no radar, debate nos EUA: Espresso

Postado por: TC Mover em 29/09/2020 às 8:02
O investidor local tem sido bem menos benevolente com o presidente Jair Bolsonaro do que foi com o PT. Achamos que há dois motivos por trás disso: a ortodoxia econômica do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva e o boom das commodities – que deu ampla folga na gestão fiscal.

O investidor local tem sido bem menos benevolente com o presidente Jair Bolsonaro do que foi com o PT. Achamos que há dois motivos por trás disso: a ortodoxia econômica do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva e o boom das commodities – que deu ampla folga na gestão fiscal.


Vamos para dois anos de Bolsonaro no comando do país com sinais mistos no quesito contas públicas. Por um lado, a Reforma da Previdência, diga-se claramente, foi um presente do Congresso para o país.


Ao longo da pandemia, as decisões econômicas foram marcadas por orientações erráticas por parte do presidente, algumas vezes por parte do Ministro da Economia, Paulo Guedes, e outras por parte do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. A carência de articulação política, que algum segmento do mercado imaginou seria resolvida com uma aliança com partidos do centro político, somente alimentou a incerteza com o compromisso quanto à gestão das finanças públicas e as reformas.


As movimentações de ontem ao redor do financiamento do programa Renda Cidadã por parte de Bolsonaro e seu séquito, incluindo seus novos amigos no Congresso, quebraram de vez a confiança que o investidor tinha depositado no credo liberal do presidente – sempre muito duvidoso.


Quaisquer sinais de recuo serão fundamentais para restabelecer parcialmente a ponte de comunicação com o mercado e evitar um caos pior daquele que vimos ontem. Entregue a inteira responsabilidade da disparada do dólar e dos juros e a queda na bolsa a Bolsonaro – que passou o bastão de mando do Orçamento a parlamentares inescrupulosos.


De acordo com fontes que ouvimos entre ontem à noite e a madrugada de hoje, há, em curso, uma operação para desfazer esses anúncios. Se a reação virulenta do mercado às propostas espúrias de usar o Fundeb e a rolagem do pagamento de precatórios para o Renda Cidadã surpreenderam Bolsonaro, imagine a decepção do investidor com o silêncio da equipe econômica.


O Ministério da Economia pressiona para que a base de apoio no Congresso busque outras fontes de recursos para o programa. O presidente tem direito ser reeleito, mas não às custas da estabilidade econômica do país.


Como explicar a desvalorização do real, pior que a do peso argentino ou da lira turca, neste ano? A ambiguidade na questão fiscal, assim como os desmandos na gestão da pandemia e na área ambiental estão por trás disso.


Para gestores, o anúncio de ontem foi um divisor de águas. “Difícil a confiança ser emendada depois desse assunto infeliz”, disse um deles. Para hoje, teremos preços ao produtor e resultado do governo central de agosto no Brasil.


O Congresso Nacional instala a Comissão Mista de Orçamento e pode votar o projeto de cabotagem. Nos Estados Unidos, a grande notícia é o primeiro debate presidencial entre o opositor Joe Biden e o mandatário Donald Trump, assim como os dados da balança comercial e estoques no atacado de agosto.

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