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DXY e commodities devem aliviar câmbio, mas fiscal é ponto nebuloso

Postado por: TC Mover em 01/12/2020 às 16:00

São Paulo, 1 de dezembro – A enxurrada de dinheiro pelos maiores bancos centrais e a alta das commodities, em um ambiente de juros perto de zero e de proximidade de uma vacinação em massa devem ajudar o câmbio a estender o bom desempenho na B3. Mas traders e gestores apontam a indefinição no plano fiscal do governo do presidente Jair Bolsonaro como um risco para esse cenário.

Para muitos deles, a queda do dólar na B3 pode continuar em dezembro, após fechar o mês anterior com recuo de 7,28%, o maior desde outubro de 2018 e o mais intenso para um mês de novembro em 18 anos. 

O quadro fiscal, porém, pode prejudicar o real e impedir que a moeda brasileira surfe na onda de fragilidade do dólar americano no mundo, disse Sidnei Nehme, economista-chefe da NGO Corretora. Também a pressão pelo ajuste do overhedge e das remessas ao exterior pelas multinacionais são pontos de pressão neste mês. 

Real pode valorizar e dólar deve ficar abaixo de R$5,30

Por volta das 12h00, o dólar futuro caía 1,26% e operava perto das mínimas do dia, a R$5,267, após o presidente Jair Bolsonaro acenar para não vai estender o auxílio emergencial, sinal de que não haverá movimento irresponsável com as contas públicas.

Aumentou neste mês a avaliação de que o real pode ter um desempenho melhor do que seus pares na América Latina. Pesquisa divulgada pelo Bank of America com gestores da região em novembro mostra que 49% acreditam que a moeda brasileira se sairá melhor do que rivais neste ano, a maior parcela dentre as divisas latinas. 

Além disso, uma fatia de 65% dos especialistas vê o dólar abaixo de R$5,30 no fim do ano, contra 27% em outubro. Por volta das 12h00, o dólar perdia 1,25% e operava perto das mínimas do dia, a R$5,26650.

Commodities, swap cambial e queda do DYX contribuem com real

“Há muito boas chances do dólar cair com a alta das commodities e a queda do DXY”, que é índice que compara o dólar americano com outras moedas fortes, disse José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos. Ele avalia que, se o dólar cair abaixo de R$5,38, tem potencial de atingir de R$5,10 a R$5,15 no curto prazo. 

Desde a eleição de Joe Biden como presidente dos Estados Unidos, um mês atrás, a divisa americana entrou em rota de queda e a nomeação de Janet Yellen para comandar a secretária do Tesouro do país e as vacinas devem reforçar essa tendência, observa Faria Júnior. 

Por outro lado, o aumento da rolagem de swap cambial pelo Banco Central em meio ao aumento sazonal das remessas de juros e dividendos e o ajuste do overhedge também contribui para a melhora do real, disse Moises Beida, trader e contribuidor do TC. 

Desde ontem, o BC passou a oferecer R$800 milhões na rolagem diária de swap cambial, em vez dos R$600 milhões anteriores. Para Nehme, no entanto, a demanda do overhedge dos bancos, da ordem de US$16 bilhões, pode ainda pesar no mês.

Política fiscal é um ponto nebuloso

“Há muitos pontos nebulosos no painel. A crise fiscal se acentuando com a indefinição sobre programas assistenciais rebote do coronavírus. E não se espera grande fluxo de ingressos”, afirma Nehme. 

Para Faria Júnior, o mercado já precificou que o Congresso não vai votar nada ou quase nada em relação ao ajuste fiscal e reformas neste mês. A pauta econômica, diz, só deve ser retomada em fevereiro, após as eleições para as presidências do Senado e Câmara. “Enfim, final do ano, as saídas se intensificam e o dólar continua sendo o porto seguro. Vejo volatilidade e acredito em viés de alta para a moeda”, diz Nehme. 

Texto: Bárbara Leite
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Letícia Matsuura
Imagem: TC Mover

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