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Economistas se dividem sobre orientação futura, mas maioria vê Selic subir em agosto

Postado por: TC Mover em 15/12/2020 às 18:59

São Paulo, 15 de dezembro – O tom da última ata de reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, divulgada hoje, de retirar o forward guindace, ou orientação futura, dividem economistas. Contudo, a maioria vê início da alta da taxa básica de juros, taxa Selic, sinalizada pelo documento, em agosto.

De acordo com Fernanda Mansano, economista-chefe do TC, o BC deverá decidir pelo aumento da taxa básica de juros a partir do segundo semestre de 2021, após os dados da atividade econômica, em especial do setor de serviços, assim como da recuperação do mercado de trabalho, sendo que ambos deverão ter impactos na inflação. 

A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, diz que o tom adotado indica que a autoridade monetária não tem tanta pressa para tirar o “forward guidance”, ou orientação futura, da trajetória da Selic, que atualmente tem viés de baixa, de sua comunicação. Com isso, ela passou a ver para março, e não mais em janeiro, momento em que o BC vai deixar cair a orientação futura.

Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú, vê agora que o dispositivo só será abandonado no outono do ano que vem e Selic elevada em agosto, dos atuais 2% ao ano para até 3,75% no fim do ano. O MFUG também aposta que a Selic começará a subir em agosto e termine 2021 em 3,75%. 

“O Banco Central manteve a mensagem principal do comunicado do Copom divulgado na semana passada. Assim, mantemos nossa visão de que o BC pode anunciar a retirada da prescrição futura a partir do segundo trimestre do ano que vem”, diz, em nota.

Para José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, “ata do Copom fortaleceu a convicção de que o comitê vai abandonar o forward guidance em torno de maio e elevar a Selic em torno de agosto”, o que fez reduzir os DIs, principalmente no miolo da curva.

Já a XP reitera que a orientação será abandonada já na próxima reunião do Copom em janeiro e que alta da Selic começará no segundo semestre de 2021. “O Copom termina o parágrafo sinalizando que a retirada do forward guidance, que pode acontecer “em breve”, não implica “mecanicamente aumento de juros”. Essa preocupação em preparar o mercado para o pós-FG, em nossa visão, sugere que sua retirada pode acontecer tão cedo quanto janeiro”, segundo a XP. 

DIs e dólar futuro caem

Os DIs, juros futuros, fecharam em queda em toda a curva em até 11 pontos-base, com alívio pelo leilão de Tesouro bem-sucedido e indicação de que a Selic vai deixar a mínima histórica. Perto das 18h00, o dólar futuro recuava 0,71%, para R$5,083, repercutindo não só o maior apetite global por risco, também a sinalização de que a Selic vai subir, o que tende a atrair capital ao país. 

Texto: Bárbara Leite
Edição Leandro Tavares e Letícia Matsuura
Imagem: TC Mover

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