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Especial: Brasil destoa da supervalorização de ativos por fiscal, ESG e pandemia, diz Amorim

Postado por: TC Mover em 17/03/2021 às 13:25
Amorim

São Paulo, 17 de março – Os ativos brasileiros sobem em ritmo mais fraco na comparação com a supervalorização global, na esteira da fuga de investimentos estrangeiros e locais, por conta do risco fiscal, piora da pandemia e descuido com as questões ambiental, social e de governança, a chamada ESG. Essa é a visão do economista e CEO do Ricam Consults, Ricardo Amorim.


Brasil perdeu capacidade de atrair investimentos estrangeiros, defende Amorim

Embora do lado de liquidez, com estímulos trilionários e políticas monetária e fiscal mais expansionistas, a alta dos preços dos ativos faça sentido, do lado do desempenho da economia e das empresas há supervalorização, defendeu Amorim em entrevista exclusiva à TC Rádio.

Amorim explica que o ritmo brasileiro é mais fraco. “O Brasil perdeu a capacidade de atrair investimentos estrangeiros, a gente está tendo fuga de capital estrangeiro, e mesmo uma fuga de capital local, que está associada a preocupações fiscais e ESG”.

Economista aconselha desmontar posições de ativos de risco

Segundo ele, o governo não dá a atenção necessária às agendas de inclusão social e ambiental. Quanto à governança, Amorim destacou a interferência do presidente Jair Bolsonaro no comando da Petrobras. “O presidente aumentou a ingerência numa empresa cotada em bolsa, o que gera preocupação em relação a investimentos no Brasil”.

Assim, Amorim acredita que este é um momento para desmontar posições de ativos de risco, de crescimento e criptomoedas. “O foco agora não é o que colocar na carteira, mas o que tirar da carteira”, argumenta.

Mas, segundo ele, qualquer correção vai levar um tempo, ainda indeterminado, e por isso não está com pressa. A dica de Amorim é buscar ações de valor e cíclicas, além de proteção contra a inflação global, principalmente a brasileira.

Inflação acima da meta, problemas fiscais e restrições devem levar a alta da Selic

Quanto às decisões sobre juros que ocorrem hoje no Brasil e nos Estados Unidos, Amorim acredita que haverá manutenção da taxa de juros americana, sem mudança imediata da política monetária.

Já para o Brasil, prevê aumento de 25 pontos-base na taxa Selic, juros básicos brasileiros. Entretanto, não ficaria surpreso se a taxa passasse para 2,50% ao ano. Ele justifica a alta pela inflação acima da meta e do consenso, problemas fiscais e piora das atividades econômicas em março, influenciada pelas restrições decretadas pelo aumento de casos e mortes por Covid-19.

Amorim considera que Reforma Tributária está mais voltada para arrecadação

Para Amorim, as reformas Administrativa e do Pacto Federativo, apesar de mais brandas do que ele gostaria, são passos para melhorar a situação fiscal. “A reforma [administrativa] proposta pelo governo deixa de fora alguns grupos que o governo não quis encarar a briga política. […] Teríamos uma economia muito maior se esses grupos fossem incluídos”.

Em relação à Reforma Tributária, Amorim reservou algumas críticas. “A proposta da Reforma Tributária hoje parece muito mais voltada para a arrecadação, aumentar ainda mais os impostos no Brasil”.

Ele lembrou também que, quando o país se livrou da hiperinflação, o imposto inflacionário diminuiu, e a solução da época foi o aumento da carga tributária. Contudo, explica Amorim, não foi o suficiente: a dívida pública brasileira cresceu e houve aumento de endividamento.

Texto: Letícia Matsuura
Colaboração: Guillermo Parra-Bernal e Leonardo Levatti
Edição: Lucia Boldrini e João Pedro Malar
Arte: Carlos Matos / TC Mover


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