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Especial: Como crise na Petrobras (PETR4) pode criar pandemônio na economia

Postado por: TC Mover em 22/02/2021 às 16:42
Petrobras

São Paulo, 22 de fevereiro – O nervosismo causado pela demissão de Roberto Castello Branco da presidência da Petrobras, códigos PETR3 e PETR4, na sexta-feira, e o risco de maior ingerência nas empresas estatais podem contaminar o viés da política monetária a pouco menos de três semanas da decisão de juros mais esperada dos últimos anos, avaliaram gestores e contribuidores do TC.


Mudança na presidência da Petrobras afetou bolsa e dólar

Mas o impacto não se remete à decisão do Banco Central do Brasil de manter ou elevar a taxa básica de juros, a taxa Selic, em 17 de março. Hoje, os reflexos da demissão de Castello Branco da Petrobras se alastram pelas ações de outras estatais, assim como do setor de óleo e gás, eletricidade, varejo e financeiro.

O movimento na Petrobras também gera dúvidas sobre a permanência do ministro da Economia, Paulo Guedes. Além disso, deixa o avanço do ajuste fiscal ainda mais dependente da ajuda do Congresso e põe em xeque o viés liberal do governo. Hoje a bolsa registra a pior queda desde maio passado, e o dólar o maior salto desde setembro.

Mercado antecipa aumento da taxa Selic em março

Com a alta do câmbio, a volatilidade no preço dos combustíveis e o temor de que a instabilidade política ponha o freio na retomada econômica e na aprovação das pautas econômicas no Congresso, o mercado já antecipa um aumento da taxa básica Selic em março.

“Objetivamente, podemos supor que a elevação do risco irá pavimentar o início do ciclo de alta da Selic na reunião de março. O que aconteceu na sexta apenas reforça as tendências observadas”, disse André Perfeito, economista-chefe e sócio da Necton Corretora, sobre a mudança na Petrobras. Hoje, a Pesquisa Focus semanal, um termômetro das expectativas de mercado para a Selic no fim de 2021, mostrou que a mediana das previsões para o indicador subiu de 3,75% para 4,00%. Há um mês, estava em 3,50%.

Geralmente, bancos centrais não elevam os juros quando a economia está deprimida, a não ser que as pressões inflacionárias subjacentes ameacem a estabilidade da atividade no longo prazo.

Esse parece ser o caso do Brasil, que está indo na contramão das maiores economias do mundo, que devem manter suas taxas básicas perto das mínimas históricas para se recuperar da crise causada pela pandemia do coronavírus.

Maior ingerência política em estatais deve deteriorar percepção de risco, diz analista

José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, lembra que, fora todos os riscos econômicos, políticos e fiscais, “temos um grave problema de energia, que vai respingar forte na inflação em breve. Reservatórios vazios e bandeira vermelha é questão de semanas”. Isso pode acelerar, com certeza, a elevação da Selic.

Além dos impactos inflacionários, a maior ingerência política nas estatais deve deteriorar a percepção de risco no Brasil, disse Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos. Esse elemento, conhecido como risco Brasil, é determinante para o BC decidir o juro básico. Ele acredita “em um estresse bastante relevante na curva de juros”, em especial nos vértices mais longos.

O risco político faz com que o dólar suba, o que faz o combustível e os importados subirem ainda mais, gerando mais inflação e forçando uma alta na Selic, diz Bruno Madruga, head de renda variável e sócio da Monte Bravo Investimentos.

Alterações na política de preços da Petrobras afetariam privatizações

Da mesma forma, a questão do preço dos combustíveis afeta não só a Petrobras. Caso a nova liderança opte por mudar a política de preços, todo o processo da Petrobras de privatizar as refinarias é afetado, com queda no preço pelo risco maior ou desinteresse em comprar ativos da companhia.

Além disso, afeta ainda o setor de álcool, que seria afetado por preços competitivos da gasolina e que ainda se recupera da intervenção da ex-presidente Dilma Rousseff nos combustíveis.

Normalização dos juros depende de ajuste fiscal

Mesmo que o governo esteja no direito, como acionista majoritário, de mudar o presidente da Petrobras, “o mercado não gostou da forma como foi feito. Além de tudo, é muito ruim para a visão do Brasil no exterior”, avaliou Madruga. Por volta das 16h40, o dólar futuro subia 1,16%. Os juros futuros, DIs, abriram prêmio extra entre 17 pontos-base e 21 pontos-base ao longo da curva de vencimentos.

O outro ponto para a normalização mais rápida dos juros será a rapidez com que o Congresso vote as medidas de ajuste fiscal. O BC já disse que o risco de mais gasto no longo prazo é sinônimo de maiores taxas de juros no curto e médio prazo. Se mudanças nas estatais abrem espaço para os partidos do centro político, as reformas podem avançar, disse Faria Júnior.

Desempenho das ações da Petrobras (PETR3 e PETR4)

Luna - Petrobras

Por volta das 16h40, a ação ordinária da Petrobras, código PETR3, caía 19,52%, a R$28,81, e a ação preferencial, código PETR4, derretia 19,76%, a R$21,93. Os recibos de ações da Petrobras negociados em Nova Iorque, ADRs, com o código PBR caíam 20,30%, a US$8,01. No mesmo horário, o Ibovespa tinha queda de 4,19%, aos 113,4 mil pontos.

Para acompanhar o desempenho das ações da Petrobras e de outras empresas, basta acessar o TC Matrix, ferramenta gratuita do TC.

Texto: Bárbara Leite, Guilherme Dogo e Angelo Pavini
Edição: Guillermo Parra-Bernal e João Pedro Malar
Arte: TC Mover


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