Copom acelera taxa Selic no ritmo mais intenso em 18 anos - TC
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Especial: Copom acelera ritmo de alta da taxa Selic para o mais intenso em 18 anos

Postado por: TC Mover em 04/08/2021 às 20:07
Copom acelera alta da taxa Selic

São Paulo, 4 de agosto – O Copom, comitê decisório do Banco Central do Brasil, partiu para um ciclo de normalização mais agressivo da política monetária, acelerando nesta quarta-feira, 4, o ritmo de alta na taxa básica de juros, a chamada taxa Selic. A autarquia prometeu que irá, pelo menos, mantê-lo na próxima reunião do colegiado.

Segundo comunicado divulgado após a decisão, a elevação da taxa Selic em 1 ponto percentual busca dissipar as pressões inflacionárias mais disseminadas e um balanço de riscos de variância maior do que a usual.

O Copom aumentou a taxa Selic de forma unânime, de 4,25% para 5,25%, em linha com o consenso TC. A alta desta quarta-feira é a mais intensa implementada pelo comitê desde, pelo menos, janeiro de 2003.

Orientação futura do Copom recomenda elevar taxa Selic para acima do nível neutro

De igual maneira, o comunicado do Copom trouxe orientação futura sinalizando que aumentos adicionais da taxa Selic são iminentes. Além disso, disse que seria recomendável levar a taxa básica acima do chamado território neutro.

“Neste momento, o cenário básico e o balanço de riscos do comitê indicam ser apropriado um ciclo de elevação da taxa de juros para patamar acima do neutro”, de acordo com o comunicado.

Novos prolongamentos de políticas fiscais pressionam, aponta Copom

Altas mais intensas na taxa Selic são consistentes com a maior inércia nos preços, a piora nas expectativas de inflação, os maiores gastos fiscais e a demora na aprovação das reformas. Recentemente as equipes econômicas de bancos como UBS, Itaú, Goldman Sachs e Bradesco elevaram suas projeções para a alta projetada para hoje na taxa Selic. O entendimento era de que algumas dessas condições, ou todas, se materializaram desde a última reunião do Copom, em junho.

Apesar de ressaltar que existem fatores de risco em ambas as direções para a inflação, o Copom reiterou que novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia do coronavírus que pressionem a demanda agregada e piorem a trajetória fiscal “podem elevar os prêmios de risco do país”. Com isso, pode criar uma assimetria altista no balanço de riscos.

“Ficou claro que o BC está correndo atrás da curva, tentando corrigir o movimento de corte de juros”, disse Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset Management, em entrevista à TC Rádio. Já Guilherme Attuy, economista-chefe da Gauss Capital, apontou que “a sinalização que o Banco Central deu foi mais dura em relação a para onde poderia ir”.

Queda nos casos e óbitos por Covid-19 não refletiu dados de atividade

Desde a última reunião do Copom, as infecções e óbitos pela Covid-19 mostraram sensível queda. Mas isto não se refletiu na mesma magnitude nos dados de atividade real, os quais registraram comportamento misto, disse o comitê. Contudo, a inflação se mostrou resiliente. Ela apontou para efeitos de segunda ordem por conta da disparada das commodities e o impacto da pior seca em quase oito décadas.

As expectativas de inflação subiram. Atualmente, se encontram em níveis bem acima da meta oficial de 3,75% para este ano e de 3,50% para 2022. De acordo com o comunicado da decisão, as expectativas para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela Pesquisa Focus semanal encontram-se em torno de 6,8%, 3,8% e 3,25%, respectivamente. Já as projeções do Copom situam-se em torno de 6,5% para 2021, 3,5% para 2022 e 3,2% para 2023.

Texto: Guillermo Parra-Bernal
Edição: Angelo Pavini, Ivan Ryngelblum, Felipe Corleta e Letícia Matsuura
Arte: Vinícius Martins / Mover


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