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Especial: Ibovespa quer “festa junina”, mas inflação nos EUA ameaça o arraiá

Postado por: TC Mover em 01/06/2021 às 13:29
Ibovespa deve festejar em junho

São Paulo, 1 de junho – O Ibovespa e o real já estão no aquecimento para terem mês de clima de festa em junho. Porém, a inflação nos EUA pode estragar o sentimento, de acordo com analistas, gestores e estrategistas.


Em análise técnica, Ibovespa deve continuar renovando máximas históricas, diz analista

Se o investidor olhar só os gráficos, o ambiente está garantido em junho para mais comemorações. “Todas as métricas apontam para cima. O Ibovespa está no canal de alta desde final de 2016. Então, ao que tudo indica, o Ibovespa vai romper topo histórico atrás de topo histórico”, disse Filipe Fradinho, analista técnico da Clear Corretora.

Fora dos gráficos, no entanto, tem o cenário político incerto. A Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a atuação do governo no combate ao coronavírus, a chamada CPI da Covid, e a análise de alguns vetos presidenciais, além da inflação americana, se destacam no radar dos investidores.

A meta do Fibonacci, um indicador usado pelos grafistas para prever tendências, aponta para o Ibovespa acima de 150 mil pontos até fim de 2022, ressaltou Filipe Fradinho.


Preocupações com inflação voltaram a pairar nos países desenvolvidos

Em maio, voltaram as preocupações com os riscos inflacionários nas nações ricas. Mas nem por isso os índices acionários deixaram de bater recordes. O Ibovespa fechou o mês acima dos 126 mil pontos pela primeira vez na história e subiu 6,16% no mês. As bolsas americanas e o índice pan-europeu Stoxx Europe 600 também superaram as máximas.

Os receios foram compensados pela recuperação das economias, com o bom andamento das vacinações. As falas tranquilizantes do Federal Reserve e de vários dirigentes deixaram as bolsas dançarem suas quadrilhas.


Bolsas podem ficar cautelosas com possibilidade de aumento nos juros básicos dos EUA

Porém, no dilema entre os dados da inflação americana e a resposta do Federal Reserve, afirmando que a alta dos preços é temporária, o mercado pode responder acionando o botão de cautela e trabalhar com a possibilidade de incremento na taxa básica de juros americana, a Fed Funds, antes do esperado, e reduzir os aportes na renda variável.

Se a inflação subir muito, a principal arma do Federal Reserve para combatê-la é aumentar a taxa Fed Funds. Essa perspectiva deixa o mercado de ações nervoso. Afinal, significaria custos mais altos para as empresas e menos liquidez. Em teoria, taxas mais elevadas também significam que os investidores poderiam potencialmente escolher investimentos em títulos de maior rendimento em vez de ações.


“Super Quarta” é peça-chave para Ibovespa e bolsas americanas

A “Super Quarta” ocorre em 16 de junho, ou seja, o Federal Reserve e o Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil, Copom, decidem juros. Ela será peça-chave para o Ibovespa e as bolsas americanas. O Payroll, relatório do emprego urbano americano, que sai nesta sexta, também.

Os dirigentes do Federal Reserve enfatizaram que manterão as políticas estimulativas enquanto observam os sinais de que a economia está realmente se recuperando. Eles também afirmam que as leituras de inflação mais altas são temporárias, por conta da base fraca de comparação com o ano passado.


Analistas estão animados com junho do Ibovespa

Para Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos, junho deve ser positivo para o Ibovespa, impulsionado pela solidez no mercado internacional somado a uma perspectiva de fortes lucros aqui, “mas o debate em torno da inflação americana pode fazer preço”. Christian Lupinacci, trader de equities na Armor Capital, também citou os preços americanos como o grande motivo de preocupação do mês.

Henrique Esteter aposta numa correção para cima de ações de setores que vão se beneficiar da abertura da economia. “Já começamos a ver muitas empresas ligadas ao setor de consumo apreciando”, disse. Também papéis atrelados à demanda externa devem seguir fortes, já que o ciclo de alta das commodities deve permanecer.

Enquanto isso, Christian Lupinacci lembrou que o prêmio de risco da volatilidade dos ativos já é um pouco menos atrativo e a lógica é que depois de um mês forte, a chance de nova alta acelerada se reduza, mas isso não significa que o índice não avance em junho. Sua estratégia será a de vender aos poucos algumas posições que andaram bem forte e se proteger, com a “venda” do índice, já que a proteção ficou mais barata.


Economistas apostam na desvalorização do dólar

“Nossa previsão é de valorização da B3 em junho, queda do dólar e também das taxas de juros, mesmo com expectativa de alta da Selic”, de acordo com Alvaro Bandeira, economista-chefe do banco Modalmais. O mercado deve pegar carona no otimismo global, na excepcional liquidez internacional e nas taxas de juros em níveis baixos, avalia.

José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, também crê na valorização do real neste mês. Em sua visão, os fundamentos estão melhores para o dólar recuar a R$5,00. Para o mercado, os ativos domésticos têm tudo para continuar dançando no ritmo de festa neste mês.

Texto: Bárbara Leite
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Letícia Matsuura
Arte: Vinícius Martins / TC Mover


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