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Especial: Mercados esperam mais que recados na “Super Quarta”

Postado por: TC Mover em 15/03/2021 às 12:22
super quarta - copom e fomc

São Paulo, 15 de março – A aguardada “Super Quarta”, dia em que os bancos centrais americano e brasileiro divulgam suas decisões de política monetária, deve marcar uma virada no Brasil e pode reservar surpresas nos Estados Unidos, em um momento que investidores esperam mais do que recados ou sinalizações das autoridades.


Copom deve aumentar juros antes da economia enfraquecer por Covid-19 e restrições

Em 17 de março, o Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil, o Copom, deve subir a taxa básica de juros, a chamada taxa Selic, pela primeira vez desde julho de 2015, de acordo com o consenso preliminar de 13 economistas e analistas. E vai fazer isso antes da hora, apesar da segunda onda da Covid-19 e novas restrições à circulação sinalizarem que a economia brasileira ainda vai fraquejar. Antes, a expectativa era de que o juro básico subiria só em maio.

No entanto, o dólar mais alto e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, de fevereiro bem salgado fizeram o mercado aumentar as projeções para a inflação do ano. Por isso, o comitê vai ter de agir logo para não deixar os preços escaparem do controle. Em 2021, o dólar futuro sobe 6,30%, tornando o real a moeda com pior desempenho no ano entre as divisas mais importantes do mundo. Então, essa alta no câmbio, somado à disparada dos preços das commodities, deixaram o IPCA acumulando aumento de 5,20% nos 12 meses até fevereiro. O resultado ficou bem acima dos 3,75% do centro da meta oficial do BC.


Mercado diverge sobre quanto a Selic deve subir

Contudo, se a alta dos juros é quase certa, há dúvidas sobre sua dimensão. A maioria projeta um ajuste de meio ponto percentual, para 2,50% ao ano. Mas a atuação mais vigorosa do BC no mercado de câmbio na semana passada fez parte do mercado acreditar que o juro pode subir 0,25 ponto percentual.

Com o Banco Central vendendo dólar quando o mercado está em queda, a impressão é que ele quer usar o câmbio para controlar a inflação, e não apenas os juros. Alguns analistas leram a atuação mais forte do BC exatamente ao contrário. Assim, avaliam-na como um prenúncio para um aumento ainda mais agressivo, de 0,75 ponto percentual.

A pressão para a alta da Selic ganhou novos elementos nas últimas semanas. Entre eles está a volta de uma nova rodada de auxílio emergencial e as derrotas do governo no Congresso para fazer um ajuste fiscal mais severo na Proposta de Emenda à Constituição Emergencial, conhecida como PEC Emergencial. A intervenção do presidente Jair Bolsonaro na Petrobras e a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, de anular todas as condenações do ex-presidente Lula da Silva na Operação Lava Jato agravaram este quadro de incertezas. Isto gera mais desvalorização do real.


Copom deve sinalizar continuidade de alta, estima Mansano

Segundo André Perfeito, economista-chefe da Necton, que prevê um aumento de meio ponto nesta quarta e a Selic em 5,00% no fim do ano, o tom do comunicado será vital. “Você deve recuar o exército nem tão rápido que pareça covardia, nem tão devagar que pareça provocação”, observou. Para Fernanda Mansano, economista-chefe do TC, que aposta em uma alta mais comedida, de 0,25 ponto percentual, o Copom deve sinalizar no comunicado uma “continuidade de alta na taxa em igual ou maior magnitude”. Ela espera que a taxa básica de juros finalize o ano em 4,00%.

Já a decisão do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve, o FOMC, é mais tranquila, mas não menos importante. A autarquia não deve mexer nem em juros, nem no programa de estímulos via recompra de títulos. Mas a expectativa é com o comunicado e a entrevista do presidente do Fed, Jerome Powell. Ele deve abordar os riscos de alta da inflação e a disparada dos juros longos.

Powell deve repetir na quarta-feira o que ele e outros diretores vêm dizendo há semanas, de que a alta da inflação é normal diante da retomada da economia. Além disso, é esperado que diga que não há necessidade de antecipar o fim dos estímulos. No máximo, vai dizer que o banco central americano vai reforçar a recompra de títulos longos para reduzir a alta dos juros, assim como fez o Banco Central Europeu, disseram economistas do Barclays.

Os investidores vão estar atentos ao comunicado do FOMC, que sai às 15h00 e à coletiva de Powell pelas 15h30. Depois das 18h15, é a vez do Copom divulgar sua decisão de política monetária, acompanhada de um comunicado.

Texto: Angelo Pavini e Bárbara Leite
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Letícia Matsuura
Arte: TC Mover


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