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Especial: Para investidores, Autonomia do BC terá impacto limitado em ativos

Postado por: TC Mover em 09/02/2021 às 11:47
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São Paulo, 9 de fevereiro – Por décadas, investidores e economistas sonharam com o dia que o Congresso Nacional sacramentaria a independência do Banco Central do Brasil. Contudo, agora que esse momento de autonomia do BC está mais próximo, o impacto nos ativos deve ser limitado, se não nulo, avaliam investidores, economistas e contribuidores TC.

O projeto, prioridade da agenda econômica do governo e do Congresso que será votada até quarta-feira na Câmara dos Deputados, blinda o BC de interferências políticas e visa sinalizar aos investidores comprometimento com a agenda econômica de controle à inflação e manutenção do poder aquisitivo do real. Relator do projeto, o deputado Silvio Costa Filho discutiu, ontem, com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e com o ministro da Economia, Paulo Guedes, os detalhes do parecer que será levado ao plenário.

O que realmente seria bom para dar um gás nos ativos locais seria a passagem das reformas Administrativa e Tributária, das Propostas de Emenda Constitucionais, PECS, do ajuste fiscal e o Orçamento da União, disse Fernanda Mansano, economista-chefe do TC. Sidnei Nehme, economista-chefe da NGO Corretora, não vê ganhos para o real ou para a inflação com um BC autônomo, já que considera que, na prática, a autarquia monetária já age de modo independente. “Somente essa votação não é capaz de fazer muito movimento, mas a aprovação, preferencialmente com larga margem, seria um sinal positivo ao mercado”, disse José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos.

Autonomia do BC pode normalizar os juros mais rápido, dizem economistas



O mercado encara a mudança com menos otimismo do que o diretor de política econômica do BC, Fabio Kanczuk. Para ele, a autonomia significa inflação mais baixa estruturalmente e juros básicos perto da taxa neutra, aquela que não estimula nem reduz a atividade econômica ou não causa inflação.

A independência do BC poderia atrair capital ao país, disse Kanczuk quando o Senado aprovou o projeto. Segundo Costa, hoje haverá uma reunião com líderes partidários para apresentar o teor da proposta para, amanhã, colocá-la em votação no plenário. Hoje os contratos de juros futuros, DIs, oscilam, mais por conta do exterior menos ameno e a incerteza com a situação fiscal brasileira, do que pela expectativa da passagem do plano no Congresso.

No entanto, o projeto vem em meio a um aumento no custo de vida que se mostra muito mais teimoso do que o esperado, representando riscos de furar a meta do BC para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, neste ano. Para economistas do Barclays liderados por Pilar Tavella, maior autonomia do BC pode facilitar um processo de normalização dos juros mais rápido, dada a recente mensagem de não querer manter o grau extraordinariamente alto de estímulo monetário por conta da disparada na inflação.

As expectativas de Tavella em torno de decisão do BC pela primeira alta da taxa básica de juros, a taxa Selic, continuam inalteradas para a reunião de maio, “mas a reunião de março será ‘ao vivo’, pois as próximas decisões sobre a política monetária serão dependentes de dados” e menos pautadas por questões políticas, disse ela. Ela projeta a Selic finalizando o ano em 4,00%.

Presidência e diretoria do Banco Central devem se descasar do Planalto



O projeto cria mandatos para o presidente e diretores do BC descasados do presidencial, para evitar “interferências políticas” para redução dos juros, mesmo com a inflação em alta, por exemplo. Segundo a regra aprovada no Senado, a diretoria deverá ser escolhida até o início do terceiro ano do mandato do presidente da República para cumprir quatro anos à frente da instituição, com a possibilidade de uma reeleição. Com isso, o governo seguinte conviverá por pelo menos dois anos com um mandatário da instituição herdado da gestão anterior.

Pelo projeto aprovado no Senado, o BC mantém como sua meta a estabilidade de preços, com controle da inflação, mas passa a incluir uma espécie de mandato duplo, como já exerce o BC americano, como o de fomentar o pleno emprego, sem prejuízo de seu objetivo fundamental. “O fato em si é positivo externamente mas no Brasil nunca será um Fed. Terá mais responsabilidades explícitas mas não sei se mais poder do que hoje com o Copom”, diz Nehme sobre novas atribuições.

Texto: Bárbara Leite
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Letícia Matsuura
Arte: TC Mover


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