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Especial: Por que PIB não é o único termômetro de economia importante?

Postado por: TC Mover em 01/09/2021 às 14:31
Indicadores da economia brasileira

São Paulo, 1 de setembro – O Produto Interno Bruto, o famoso PIB, ficou perto da estabilidade no segundo trimestre, após crescimento de 1,2% no trimestre anterior. O dado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, é o valor total dos produtos e serviços finais produzidos no país. Por isso, também é chamado de termômetro da economia.

Apesar disso, o PIB não é a riqueza total do país, tampouco o único indicador a ser considerado pelos investidores. Embora ajude a compreender a economia, ele não consegue sozinho demonstrar o cenário da população. Confira ao longo da matéria o porquê e outros três indicadores para se ter no radar.

1- Inflação, o dragão da economia

A inflação é um velho conhecido do brasileiro. No começo da década de 1990, os brasileiros viam os preços de produtos e serviços dispararem dia após dia. Em 1993, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, foi de quase 2.500%.

Considerado o índice da inflação oficial do Banco Central, o IPCA acompanha os preços dos principais produtos e serviços consumidos pelas famílias com renda entre um e 40 salários-mínimos. A meta para este ano é de 3,75%, com intervalo de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Contudo, o último dado da inflação divulgado pelo IBGE, de julho, apresentou a maior alta para o mês desde 2002, acumulando 8,99% em 12 meses, bem acima da meta. O IPCA-15, considerado a prévia, referente a agosto acelerou de 0,72% em julho para 0,89%. O acumulado de 12 anos ficou em 9,30%.

O peso da crise hídrica no bolso dos brasileiros

A pior crise hídrica em 91 anos pesa na inflação ao consumidor. Com a falta de chuvas e a maior parte da energia brasileira oriunda de hidrelétricas, a conta de luz salgou com bandeira vermelha patamar 2, a mais cara, desde julho. Na última terça-feira, 31, o governo federal decidiu criar a bandeira “escassez hídrica”, com a tarifa subindo para R$14,20 por 100 kilowatts-hora.

Além do IPCA, outros índices de inflação importantes sofreram com a pressão na conta de luz. É o caso do Índice Geral de Preços de Mercado, IGP-M, geralmente utilizado em correções de contratos, como os de aluguel. Apesar da desaceleração em agosto, o índice ainda acumula alta de 31,12% em 12 meses.

A economista-chefe do TC, Fernanda Mansano acredita que a alta da inflação se deva a “fatores estruturais”. Segundo ela, eles são de curto prazo, limitando-se a este ano. “Inclusive, a nossa projeção para o ano que vem está dentro do intervalo da meta”, que é entre 2,00% e 5,00%. Por outro lado, o professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo, USP, Pedro Côrtes, estimou em entrevista exclusiva à TC Rádio que esse cenário da crise hídrica deve permanecer pelo menos durante o primeiro semestre de 2022.

2- Como o mercado de trabalho influencia na economia?

A economista-chefe do TC explicou que é importante observar ainda o mercado de trabalho. Afinal, com emprego há geração de renda e, assim, consumo e investimento. “Pessoas com renda podem investir e/ou consumir. Uma parte daquela renda volta para a economia real”. Segundo ela, no ciclo econômico, esse é o último setor a se recuperar de uma crise. Primeiro tem os juros baixos e, consequentemente, alta dos investimentos. Depois, o mercado reaquece, aumentando os créditos. E, enfim, o mercado de trabalho se recupera.

Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, PNAD Contínua, a taxa de desemprego no país recuou de 14,7% para 14,1% no trimestre móvel de abril a junho, ante o período imediatamente anterior. Mesmo com essa queda, são mais de 14 milhões de desempregados. Para Mansano, o setor de serviços foi o responsável pela melhora na taxa de desemprego.

Somada à baixa da taxa de desemprego, a PNAD Contínua mostrou crescimento de 2,5% da população ocupada. “Eu estou bem otimista para o segundo semestre, no final do ano, porque, com a vacinação, serviços é um setor que tende a ter uma resposta positiva e muito rápida”, disse a economista, que também citou o efeito sazonal positivo de fim de ano para o mercado de trabalho.

3- PMI, o sentimento atividades econômicas

O Índice dos Gerentes de Compras, PMI, é um indicador de sentimentos dos setores industrial e de serviços. Mansano ressaltou que esses dados trazem a expectativa em relação ao futuro, permitindo que o mercado financeiro antecipe a reação de eventual expansão ou retração dos setores. “Eles antecedem o que o setor produtivo está olhando e está esperando. E é importante acompanhar”.

O PMI industrial brasileiro, calculado pela IHS Markit, desacelerou de 56,7 pontos para 53,6 pontos em agosto. Enquanto tiver mais de 50 pontos, o indicador aponta para expansão do setor. Abaixo dessa pontuação indica retração. De acordo com a economista, essa diminuição do ritmo da indústria sugere “uma rotação de bens industriais para serviços, justamente pela reabertura”. Ela também explicou que o setor industrial tende a caminhar para a estabilidade.

Por que o PIB recuou no segundo trimestre?

No segundo trimestre, o PIB caiu 0,1% em relação ao primeiro, período que superou as expectativas. Segundo Mansano, há dois motivos para esse movimento. O primeiro é o ritmo da imunização contra a Covid-19 abaixo do esperado. “A atividade econômica está totalmente correlacionada com o avanço da vacinação”.

O outro ponto citado pela economista foi o aumento da taxa básica de juros, denominada taxa Selic, que passou de 2,00% a 5,25% ao ano em quatro reuniões do comitê decisório do Banco Central. No primeiro trimestre deste ano, com os juros ainda baixos, houve aumento de investimento privado.

Mesmo com a queda do PIB no segundo trimestre, Fernanda Mansano projeta crescimento da economia brasileira neste ano, com o setor de serviços se destacando no segundo semestre. Já o cenário visto pelo economista e ex-diretor de política monetária do Banco Central, Luís Eduardo Assis, é menos otimista. “A expectativa é que o PIB possa crescer muito pouco, alguma coisa entre 1,5% e 2,0%, e a gente ainda vai ter uma inflação significativa. E tudo isso em um contexto de desemprego alto, historicamente alto”, apontou em entrevista exclusiva à TC Rádio.

Para entender melhor sobre estes e outros indicadores da economia, confira o artigo da TC School.

Texto: Letícia Matsuura
Edição: Stéfanie Rigamonti
Arte: Vinícius Martins / Mover


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