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Estrangeiros trazem R$22,7 bilhões para bolsa em dez pregões; volume dispara

Postado por: TC Mover em 18/11/2020 às 17:31

São Paulo, 18 de novembro – A definição da eleição presidencial nos Estados Unidos e a perspectiva de avanços em uma vacina para deter a pandemia de coronavírus, que permitiria a retomada da economia global, despertaram o apetite dos estrangeiros pela bolsa brasileira, trazendo para o mercado local uma enxurrada de recursos. Neste mês, até dia 16, o saldo de estrangeiros no segmento Bovespa da B3 alcançou R$22,66 bilhões, batendo os recordes anteriores de entradas em apenas dez pregões.

O movimento se acentuou na semana passada, após a Pfizer anunciar que sua vacina havia atingido 94,5% de eficácia. Só na segunda-feira, dia 9, e na terça-feira, dia 10, os estrangeiros trouxeram para bolsa brasileira R$4,50 bilhões e R$4,968 bilhões respectivamente, sendo este último o maior saldo diário desde 2007, início da série histórica. 

Na semana passada, vieram para a bolsa R$14,5 bilhões de estrangeiros, novo recorde semanal. E, nesta semana, o ritmo de entradas se mantém, com mais R$4,89 bilhões na segunda-feira, 16, reflexo da venda das ações do BNDES na Vale, código VALE3

Saldo de investimentos estrangeiros ainda está negativo

A forte entrada de investimentos estrangeiros representa, porém, um ajuste depois da grande saída registrada nos primeiros meses do ano. Até maio, saíram da bolsa brasileira R$64,7 bilhões de estrangeiros por conta da pandemia e das baixas expectativas de crescimento do país. 

Assim, apesar de toda essa entrada de recursos deste mês, o saldo no ano dos estrangeiros ainda está negativo, em R$62,72 bilhões. Se forem consideradas as compras em ofertas iniciais, os IPOs, de cerca de R$20 bilhões, o saldo de estrangeiros melhora um pouco, mas ainda está negativo em R$42,6 bilhões. 

Volume negociado atinge maior média histórica

A volta dos estrangeiros puxa a alta de 14,20% do Ibovespa no mês até ontem, ou 22,08% em dólares, referencial dos ganhos desse investidor externo. Com a maior presença de compradores, o volume negociado também subiu, atingindo a média diária de R$35,41 bilhões em novembro, o maior da história da bolsa, puxando também a média no ano para R$29,28 bilhões, quase o dobro dos R$17,2 bilhões do ano passado. Esse volume recorde dá mais consistência para o movimento de alta das ações. E aumenta os ganhos da B3. 

Outro ponto positivo é que o aumento do volume é um reflexo não só dos estrangeiros, mas da descoberta da bolsa pelo investidor brasileiro, com mais de 3 milhões de cadastros de pessoas físicas na B3, o que pode indicar uma mudança estrutural no mercado de capitais brasileiro. 

Os estrangeiros respondem em setembro por 48,3% do volume negociado, enquanto as pessoas físicas têm 20,8%. Ou seja, de cada R$100,00 em ações negociados na B3, R$48,30 foram de estrangeiros e R$20,80 de pessoas físicas.

Texto: Angelo Pavini
Edição: Letícia Matsuura
Imagem: TC Mover

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