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Expansão do Pix nas empresas esbarra em desafios

Postado por: TC Mover em 25/05/2021 às 18:22
Adoção do Pix por empresas ainda é lenta

São Paulo, 25 de maio – Embora o Pix tenha alcançado 82 milhões de pessoas físicas cadastradas até abril, a expansão nas empresas está em ritmo mais lento. A dificuldade na integração de sistemas já existentes com o do Banco Central é uma das barreiras para a maior adesão de pessoas jurídicas ao meio de pagamentos instantâneos do BC, segundo o diretor-presidente da Stark Bank, Rafael Stark.


Migração para o Pix é tendência, avalia diretor-presidente da Stark Bank

De acordo com o Banco Central, há quase 5,5 milhões pessoas jurídicas registradas até abril. Mesmo com o crescimento entre as empresas, o diretor-presidente da Stark Bank, Rafael Stark, avalia que o “Pix está engatinhando” no setor. Isso ocorre apesar da presença de funcionalidades voltadas para empresas, em especial as do varejo, caso do Pix Cobrança.

Para Rafael Stark, o serviço já tem “todas as características que o boleto tem”. Não à toa, destaca o presidente, o meio de pagamentos do Banco Central já é cinco vezes maior que os boletos, cujo uso tem caído. “Tem ocorrido uma migração, e essa tendência deve seguir”, avaliou.


Integração do serviço em sistemas já existentes atrasa adoção por empresas

O que, então, justifica a expansão mais lenta do Pix nas empresas? Para o diretor-presidente da Stark Bank, a resposta é a dificuldade de integrar os sistemas já existentes com o do Banco Central. Além disso, ele aponta que algumas companhias estão esperando o sistema deslanchar para aderir.

“O Pix é muito bom para o comerciante. A empresa recebe o dinheiro em tempo real, não tem desconto de porcentagem para adiantar valor como em cartão”, afirma Rafael Stark. O serviço ainda dá “agilidade operacional”, para o e-commerce, diminuindo o tempo de processamento de pagamentos e, assim, agilizando entregas.


Pix oferece mais fluxo de caixa e cortes de custos para empresas

O Banco Central tomou medidas para ajudar os empresários a integrar o sistema com mais facilidade, após o lançamento da API Pix. Entretanto, nem todas as instituições financeiras oferecem o serviço. No caso das tradicionais, há ainda outro desafio.

“Os bancos tradicionais não foram criados pensando no open banking. Eles estão tendo que se adaptar ao open baking, criar APIs. Muitas fintechs da área já surgiram pensando nisso, e são mais ágeis, até para entender o que funciona ou não”, destaca Rafael Stark.

Entretanto, ele considera que a adoção por empresas ocorrerá mais cedo ou mais tarde. “O Pix é inevitável, e os que mais rápido colocarem, mais vão se beneficiar. Vão ter mais fluxo de caixa, mais capital disponível, cortar custos”.


Banco Central abriu consulta pública sobre duas novas funções do Pix

Ainda na tentativa de atrair mais usuários, o Banco Central prevê lançar novas funcionalidades para o serviço. Em maio, foi anunciada uma consulta pública referente ao Pix Saque e o Pix Troco, ficando aberta até 7 de junho. As duas funções permitirão que o usuário receba dinheiro físico de lojas e instituições financeiras.

A ideia, segundo a autarquia, é atrair pessoas que ainda têm receio de trocar o dinheiro físico pelo digital. Neste sentido, Rafael Stark disse que “quanto mais opções para o consumidor, melhor. São vários perfis, têm aqueles desconfiados, que querem o dinheiro de papel, então acho que quanto mais opções, mais perfis agrada e mais atrai pro sistema”.

Na agenda do Banco Central, o ano de 2022 deverá contar com outras novidades no sistema, como o de transferências internacionais. O presidente da Stark Bank explicou que um dos serviços mais esperados pelos seus clientes é o de débito automático.


Golpes envolvendo o Pix estão ligados à “engenharia social”, segundo Rafael Stark

Uma preocupação que o público, incluindo lojistas, também pode ter é quanto à segurança do meio de pagamentos instantâneos. Rafael Stark considera, porém, que os golpes não envolvem falhas no sistema de segurança do Pix, que é robusto.

“O golpe vem de enganar a pessoa para ter uma vantagem. É uma engenharia social, a história que o fraudador cria para enganar a pessoa e ela acaba transferindo”, explica. Para evitar cair em golpes com o Pix, ele recomenda “ter certeza de para quem está mandando e saber que quanto mais pressa envolvendo dinheiro, mais cuidado tem que ter”.

Texto: João Pedro Malar
Edição: Letícia Matsuura
Arte: Vinícius Martins / TC Mover


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