Mover

Exterior, Brandão, cautela, carteiras e vírus derrubam Ibovespa

Postado por: TC Mover em 26/02/2021 às 18:58
Ibovespa - pregão - queda

São Paulo, 26 de fevereiro – O último pregão de fevereiro começou positivo, mas levou o Ibovespa de volta aos 109 mil pontos durante à tarde e com queda semanal acima de 6%, a pior semana desde 26 de outubro. O índice brasileiro fechou com queda de 1,98%, aos 110 mil pontos.


Possibilidade de aumento de juros americanos atrai capitais de emergentes

O exterior voltou a estressar e contaminou o humor local. A possível retomada econômica com avanço das vacinações e novos pacote de estímulos nos Estados Unidos reflete em medo de que piora da inflação possa levar à antecipação da alta dos juros americanos, atraindo capitais de emergentes ou de mercados de risco, como o de ações. Retirou um pouco de pressão a trégua que hoje vivem os yields dos Treasuries, os títulos do Tesouro americano, que ontem dispararam com as preocupações inflacionárias.

Por aqui, as publicações que diziam que o presidente do Banco do Brasil, André Brandão, colocou o cargo à disposição azedaram mais o humor. O motivo, conforme as publicações, seria crise com o presidente Jair Bolsonaro, que semana passada demitiu o presidente da Petrobras. Ontem, Bolsonaro reafirmou que estatal precisa ter “visão social”, recado velado para o programa de corte de agências deficitárias e de pessoal ordenada pelo líder do banco.

Retirada na PEC Emergencial do fim de piso para gastos também pesou

O mercado repercute ainda o ajuste das carteiras dos investidores por ser o último pregão do Ibovespa de fevereiro, além da tradicional cautela do fim de semana, que aumenta diante do cenário externo e receios de guinada populista do governo. Mais cedo, a capa da revista Veja, que destaca atritos entre Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, também pesou.

O aumento dos casos de Covid-19 no país, que levou São Paulo a apertar restrições, com comércio só abrindo até às 20h00 a partir de segunda, foi outro complicador para o Ibovespa. Também a informação de que o relator Marcio Bittar retirou do parecer da Proposta de Emenda à Constituição Emergencial, PEC Emergencial, o fim do piso para gastos em saúde e educação, que daria uma compensação para os gastos, agravou o mal-estar.

Ibovespa teve tombo de 7,09% na semana

O Ibovespa encerrou o dia com queda de 1,98% aos 110.035 pontos, depois de chegar à mínima de 109.827 pontos e no nível mais baixo desde 23 de novembro. Na semana, o tombo subia a 7,09%, a queda mais forte em 17 semanas.

Dos papéis do Ibovespa que fecharam no azul, destaque para a Minerva, código BEEF3, com ganho de 3,30%, após anunciar a maior distribuição de dividendos da sua história, e Eneva, código ENEV3, que vai produzir gás em campo descoberto na Parnaíba e subiu 2,27%.

Na ponta negativa em pontos no Ibovespa, quem mais pressionou foi a Petrobras, códigos PETR3 e PETR4, ainda na esteira de receios de ingerência nos preços da estatal e queda do petróleo, seguida pela Vale, código VALE3, e os bancos Bradesco, código BBDC4, Banco do Brasil e Itaú, código ITUB4, sensíveis aos riscos políticos e fiscais. No BB, o tombo foi de quase 5,00%, com receios pela saída de Brandão. Na semana, o banco amargou perda de 12,92%, a maior desde 20 de abril do ano passado.

Embraer e Braskem estão entre maiores altas do Ibovespa em fevereiro

A BRF, código BRFS3, por outro lado, chegou a liderar as perdas do Ibovespa, com recuos superior a 7%, apesar do bom desempenho no quarto trimestre de 2020. O mercado vê incertezas no mercado internacional e alta de preços dos insumos como desafios ao frigorífico.

No mês, a Via Varejo, código VVAR3, acumulava queda de 19,20%, a segunda pior do Ibovespa, só atrás da Helbor, código HBOR3, que despencou 20,18%. Embraer, código EMBR3, que iniciou conversas com a Lufthansa para vender aeronaves e Braskem, código BRKM5, com recomendações em alta pelo JPMorgan e proximidade de acordo com México foram dois dos maiores ganhos de fevereiro, com altas de 39,14% e 29,07%, respectivamente.

Texto: Bárbara Leite
Edição: Angelo Pavini, João Pedro Malar e Letícia Matsuura
Arte: TC Mover


Leia também

Resumo da Semana: Petrobras (PETR4), Treasuries yields, PEC Emergencial

Sanita: Eneva (ENEV3)

Corleta: Os Treasuries yields americanos vão estragar a festa das bolsas?

Mover Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Saiba Mais