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Fundo Verde, leilão do Tesouro e EUA concentram atenções no pregão de quinta: Espresso

Postado por: TC Mover em 22/10/2020 às 8:39
O alerta de quem melhor conhece os mercados brasileiros veio ontem à noite: a queda da taxa básica de juros Selic para 2,00% em um momento de alta instabilidade financeira, crise fiscal, liderança ambígua na política e pandemia de coronavírus deixam 2021 muito desafiador

São Paulo, 22 de outubro – O alerta de quem melhor conhece os mercados brasileiros veio ontem à noite: a queda da taxa básica de juros Selic para 2,00% em um momento de alta instabilidade financeira, crise fiscal, liderança ambígua na política e pandemia de coronavírus deixam 2021 muito desafiador. 

Dono de uma cautela ímpar e ciente que, neste momento, divulgar previsões erradas podem fazer seus clientes perderem dinheiro, o legendário gestor Luis Stuhlberger, que toca o Fundo Verde, recomenda não fazer apostas. 

Admirador de Winston Churchill e do delicado senso de humor do admirado político britânico, Stuhlberger até brincou com a incerteza ao redor da taxa de juros no país: para ele, mesmo considerando a expectativa de alta dos juros para os próximos dois anos, “se eu cometesse um pequeno delito e um juiz me desse duas penas para escolher, ficar 30 dias na cadeia ou ficar aplicado em títulos prefixados para janeiro de 2022 de hoje até o vencimento, e sem poder mexer, eu escolheria ficar 30 dias na cadeia”.

Nós mortais, que carecemos do fino humor e da leitura de Stuhlberger para navegar esse oceano de insegurança política e jurídica chamado Brasil, seguimos à espera das definições que, no próximo mês, podem marcar o desempenho do mercado local no ano que vem. 

Ontem vimos como a articulação política do governo falhou no Senado, deixando escapar o projeto de autonomia do Banco Central – que deverá ser apreciado no começo de novembro. 

O gestor da Opportunity Asset Management, Marco Mollica, tuitou ontem que o adiamento “é um descaso com o país. Brasil quebrando e este Senado não consegue – ou não quer – se organizar para mandar uma mensagem positiva para os investidores”. Está errado? 

Assim, espere mais volatilidade e pressão de venda nos juros, na moeda brasileira e na bolsa – ativos que devem sentir o exterior arisco na esteira da indefinição sobre a prorrogação do pacote de estímulo econômico nos Estados Unidos e a piora nas infecções e mortes por coronavírus na América do Norte e em alguns dos países mais relevantes da Europa.

Os eventos mais relevantes de hoje na cena local olham para a situação fiscal. Fique atento ao leilão de hoje do Tesouro Nacional, que volta a testar a demanda por LFTs, ou títulos pré-fixados, mais curtos, após colocar menos de 40% do montante ofertado na semana passada. 

Olho no discurso do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no Palácio do Itamaraty, e na reunião virtual do Conselho Monetário Nacional, com o ministro da Economia Paulo Guedes. O BCB faz leilão de rolagem de swap e oferta até R$4 bilhões em operações compromissadas de dois meses. 

Nos EUA, o consenso TC para os pedidos de seguro-desemprego semanais aponta para leve queda, a 870 mil. As vendas de casas usadas em setembro também atraem as atenções. Teremos discursos de três diretores do Federal Reserve. 

O último debate presidencial entre o presidente americano Donald Trump e o opositor democrata Joe Biden acontece às 22h00 – e a disputa deve focar nas propostas econômicas. Os balanços de AT&T, Kimberly Clark, American Airlines e Coca-Cola saem antes do sino de abertura.

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