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Gestores preveem ruídos com Previdência, chance de corte nos juros

Postado por: TC Mover em 08/03/2019 às 16:11

Uma longa tramitação da reforma da Previdência deve arrefecer o ritmo de valorização dos ativos brasileiros, com instabilidade na cena externa e perspectiva de redução da taxa Selic, preveem gestores brasileiros, em um cenário coerente com o dólar de volta aos R$3,90 e o Ibovespa ainda a 6 mil pontos da marca dos 100 mil pontos.

 

As mais recentes cartas mensais de gestoras como Adam Capital, Legacy e Vista Capital endossam para março a continuidade de posições já reduzidas em fevereiro, cientes de potenciais solavancos a curto prazo no decorrer do teste do governo para a construção política a favor da proposta de mudança nas regras de aposentadorias.

 

“Mantemos a confiança na aprovação da reforma e entendemos que ruídos são esperados. Sua própria natureza mostra a evolução da aceitação da proposta: discute-se cada vez mais os cargos e emendas que servirão como moeda de troca e cada vez menos o mérito ou a necessidade da reforma”, diz a Vista Capital em carta mensal de gestão.

 

“Nossa expectativa é que a proposta sofra alguma desidratação ao longo de sua tramitação, mas que o projeto final seja capaz de imprimir à dívida pública uma suave trajetória de queda ao longo dos próximos anos”, observam os gestores da Legacy.

 

A sensibilidade do mercado ao desenrolar da reforma da Previdência é atestada no pregão desta sexta-feira, no qual o dólar passa por ajuste de queda a R$3,870 após quatro altas seguidas e o índice Bovespa avança 0,3% a 94.667 pontos, na contramão das bolsas internacionais. Tal tendência ganhou vigor após o presidente Jair Bolsonaro dizer que acredita em votação da pauta na Câmara ainda no primeiro semestre e o presidente da casa Rodrigo Maia afirmar que pretende instalar a Comissão de Constituição e Justiça – pontapé inicial da tramitação do projeto – na próxima quarta-feira.

 

Em paralelo, os sinais de expansão mais lenta que o previsto da economia brasileira também chamam a atenção dos gestores. A equipe da Legacy revisou a projeção de crescimento do PIB neste ano de 3,1% para 2,5%, vendo espaço para redução adicional da taxa básica de juro brasileira, mantida em 6,5% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central. “A decisão do Copom pela manutenção da taxa de juros em linha com as expectativas do mercado contrapõe, de certa maneira, os dados correntes, uma vez que fica mais evidente que a recuperação da atividade econômica ocorrerá de forma gradual, sem impactos de segunda ordem para inflação. Assim, acreditamos ser provável o começo de novo ciclo de queda da Selic”, diz carta da Adam Capital, do renomado gestor Marcio Appel.

 

A médio e longo prazo, há certo otimismo consensual. “Acreditamos que o cenário mais provável para o mercado brasileiro é o de um ciclo positivo estrutural. Ele começou há cerca de três anos e é possível que prossiga por mais alguns anos pela frente … É provável que um desafio importante para a gestão profissional de recursos seja como navegar essa tendência favorável ao Brasil quando, ao mesmo tempo, os mercados desenvolvidos apresentam sinais de exaustão após um duradouro movimento de apreciação”, conclui carta da Squadra Investimentos.

 

(Foto: Agência Brasil)

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