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IGP-10 sobe 3,51% em novembro e 23,82% em 12 meses, puxado por alta de 61% em agrícolas

Postado por: TC Mover em 16/11/2020 às 20:12

São Paulo, 16 de novembro – O Índice Geral de Preços – 10, IGP-10, aumentou 3,51% em novembro. O dado, calculado pela Fundação Getúlio Vargas, foi impulsionado pela alta nos preços de matérias-primas brutas. Já o acumulado de 12 meses atinge 23,82%. Só em 2020, o índice acumulou alta de 21,76%.

O cenário de novembro de 2019 era diferente e o IGP-10 naquela época subia 0,19%, acumulando 3,33% em 12 meses.

Índices que influenciam no IGP-10

O IGP-10 é a média ponderada de três outros índices: Índice de Preços ao Produtor Amplo, IPA, Índice de Preços ao Consumidor, IPC, e Índice Nacional de Custo da Construção, INCC. De acordo com a FGV, o IPA pressionou a alta de novembro, com variação de 4,59%, ante 4,06% em outubro. Com isso, os preços no atacado acumularam alta em 12 meses de 33,04%. 

Fonte: FGV

A maior parte da alta do IPA veio dos preços agrícolas, que subiram 9,49% em novembro e acumulam alta de 61,03% em 12 meses. Já os preços no atacado industrial subiram 2,58% em novembro e acumulam 23,66% em 12 meses. 

O IPC-10, por sua vez, subiu 0,55% em novembro, desacelerando em relação aos 0,98% de outubro. Em 12 meses, o IPC-10 acumula variação de 4,19%, bem abaixo dos preços no atacado. 

Já o INCC, da construção civil, subiu 1,51% em novembro, mesma variação de outubro, e acumula agora 7,36% em 12 meses. A maior pressão veio dos preços de materiais e serviços, que subiram 2,91% em novembro, ante 3,14% em outubro, e acumula 12,94% em 12 meses. Já a mão de obra subiu bem menos, 0,24% em novembro, um pouco mais que o 0,07% de outubro. Em 12 meses, o custo da mão de obra da construção acumula alta de 2,63%, abaixo do IPC-10. 

As pressões que se acumulam nas matérias-primas brutas do índice ao produtor gradualmente chegam aos outros estágios de produção, cujas taxas em 12 meses dobraram de agosto para novembro, afirma André Braz, Coordenador dos Índices de Preços da FGV.

A alta dos preços no atacado, em especial os agrícolas, é fruto da alta do dólar e dos preços das commodities, e levou junto os IGPs, explica José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. Ele destaca a alta de 61,03% do IPA agrícola em 12 meses. 

O descolamento do IPC e do INCC em relação aos preços no atacado continua se ampliando, mas a distância entre a alta dos preços das matérias-primas brutas e dos bens intermediários e finais sugere que as empresas, ao não conseguir repassar os aumentos ao consumidor, devem estar perdendo margens. 

Já o componente mão de obra do INCC bem abaixo da inflação ao consumidor mostra perda de renda por parte das famílias. 

Diferença entre os IGPs

O cálculo do IGP-10 também se aplica aos outros índices gerais de preços da FGV, o IGP-M e o IGP-DI. A diferença entre os IGPs é a data de coleta de informações. O IGP-10 mede a variação de preços entre o dia 11 do mês anterior e o dia 10 do mês de referência. Já o IGP-DI, leva em consideração os dados do primeiro ao último dia do mês de referência. O IGP-M é medido por informações coletadas entre os dias 20 do mês anterior e dia 21 do mês de referência.

Texto: Letícia Matsuura
Edição: Angelo Pavini
Imagem: Divulgação

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