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Os preços subiram e a inflação não; como funcionam os principais índices do Brasil

Postado por: TC Mover em 22/09/2020 às 10:25
A inflação é uma velha conhecida da população brasileira e um dos termos econômicos mais falados nos últimos dias. Ela sempre ocupou um grande espaço nas discussões sobre o futuro da economia, mas agora está de volta também na boca do povo, com o gosto amargo da alta do arroz, da carne e de outros produtos. Por isso, ninguém entende por que os índices de inflação continuam baixos, mesmo assim. Você sabe por que isso acontece?

A inflação é uma velha conhecida da população brasileira e um dos termos econômicos mais falados nos últimos dias. Ela sempre ocupou um grande espaço nas discussões sobre o futuro da economia, mas agora está de volta também na boca do povo, com o gosto amargo da alta do arroz, da carne e de outros produtos. Por isso, ninguém entende por que os índices de inflação continuam baixos, mesmo assim. Você sabe por que isso acontece?

Conheça e entenda como são calculados os principais índices que medem a inflação no Brasil.

O que é a inflação e como ela é medida

A inflação é o índice que apresenta o aumento nos preços de produtos e serviços. É importante destacar que ela não mede o aumento de apenas um bem ou serviço específico. Ela mostra o aumento contínuo ou generalizado nos preços.

Podemos dizer que a inflação mede o poder de compra da população. Isto é, quanto você consegue comprar com a mesma quantia que usava para fazer compras em um outro período. Se com R$10,00 você conseguia comprar 5 quilos de arroz no mês passado e, neste mês, só consegue comprar 4 quilos, significa que a inflação diminuiu o seu poder de compra, desvalorizando nossa moeda.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a inflação não é ruim. Na verdade, quando controlada, ela tem impacto positivo na economia de um país. Isso porque ela representa um sinal de que a economia está aquecida e crescendo de uma maneira saudável.

No Brasil, o Banco Central determina uma meta de inflação todos os anos. Essa medida tem como objetivo oferecer segurança para a moeda e garantir que os preços estão crescendo de maneira controlada.

Todavia, existem momentos em que a inflação é prejudicial. Basicamente, isso acontece quando ela está descontrolada, o que pode levar a um processo de hiperinflação, com a disparada dos preços e rápida perda do valor da moeda. Ou o processo contrário, a deflação, uma queda generalizada nos preços, que pode ser causada por uma recessão profunda.

Índices de inflação

A inflação pode ser calculada de diferentes formas, usando pontos de vista distintos. Alguns índices consideram os preços entre as empresas, no atacado, enquanto outros consideram no varejo, ao consumidor. Os índices incluem também diversos itens, que podem ter importância diferente para cada família ou pessoa. Por isso, é comum que os dados oficiais divulgados não estejam totalmente alinhados com os aumentos percebidos pela população.

Conheça e entenda como funcionam os principais índices de inflação no Brasil.

O que é e como funciona o IPCA

O IPCA, Índice de Preços ao Consumidor Amplo, é considerado o índice oficial de inflação do Brasil porque é usado pelo Banco Central em suas metas. Ele mede a variação de preços para o consumidor final e é calculado pelo IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Sua base é a cesta de consumo de famílias que recebem entre 1 e 40 salários mínimos e moram nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém, além do Distrito Federal e da cidade de Goiânia.

O IBGE faz o cálculo do IPCA todos os meses e o período de coleta de dados acontece entre o primeiro e o último dia de cada mês. A pesquisa é realizada em domicílios, estabelecimentos comerciais, concessionárias de serviços públicos e prestadores de serviços.
Usado pelo Banco Central como o principal termômetro da inflação no país, o IPCA tem impacto direto nas decisões de políticas monetárias e medidas econômicas do Brasil. A Selic, taxa básica de juros, é a principal ferramenta de controle da inflação.

Para calcular o IPCA, são consideradas várias categorias de bens e serviços importantes para o dia a dia da população. A união dessas categorias é chamada de ‘cesta de produtos’ e inclui: alimentação, habitação, vestuário, transporte, saúde, despesas pessoais, educação e comunicação. Cada um dos itens tem um peso distinto no cálculo de acordo com sua importância para as famílias.

O IPCA possui duas variações: o IPCA-15 e o IPCA-E. Veja como eles funcionam.

IPCA-15

O IPCA-15 funciona como uma prévia do IPCA, que é o índice oficial da inflação no país. Ele começou a ser divulgado a partir dos anos 2000 e realiza a medição dos preços em um período diferente do IPCA. No entanto, usa a mesma metodologia de coleta e cálculo do índice oficial.
Seu nome, acrescido do número 15, representa o período em que os dados serão coletados, que é do dia 16 de um mês ao dia 15 do mês de referência, enquanto no IPCA oficial, os dados são coletados do dia 1 ao último dia de cada mês.

IPCA-E

O IPCA-E, Índice de Preços ao Consumidor Amplo Especial, tem como objetivo realizar um balanço trimestral da inflação. Ele é calculado da mesma forma que o IPCA oficial, mas sua divulgação é feita ao final de cada trimestre.

O que é e como funciona o INPC

O INPC, Índice Nacional de Preços ao Consumidor, funciona de forma parecida com o IPCA, inclusive sendo divulgado junto ao índice oficial, mas considera uma faixa salarial mais baixa, de até 5 salários mínimos.

Como o INPC considera pessoas com menor poder aquisitivo, as mudanças nos preços de produtos e serviços mais básicos são mais sentidas neste índice do que no IPCA. O grupo de alimentos, por exemplo, é o que tem maior impacto no INPC. Desta forma, o aumento no preço do arroz tem muito mais peso no INPC do que teria no IPCA.

O que é e como funciona o IGP – Índice Geral de Preços

O Índice Geral de Preços, IGP, é medido pela Fundação Getúlio Vargas, FGV, e registra a variação nos preços em geral, considerando desde matérias-primas agrícolas e industriais, até bens e serviços ao consumidor final.

Criado no final dos anos de 1940 como uma medida abrangente que acompanha o movimento dos preços, o IGP é formado pela média de três outros índices: o Índice de Preços ao Produtor Amplo, IPA, com peso de 60%; o Índice de Preços ao Consumidor, IPC, com peso de 30%; e o Índice Nacional de Custos da Construção, INCC, com peso de 10%.

O Índice Geral de Preços tem três versões, cujas principais diferenças estão nas datas em que são realizados os levantamentos. Entenda as características de cada um deles.

IGP-DI – Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna

O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna, IGP-DI, é uma das versões do IGP, medido e calculado pela Fundação Getúlio Vargas, FGV. O IGP-DI é o índice que faz a medição dos preços no mês cheio, considerando do primeiro ao último dia de cada mês. Sua divulgação é feita por volta do dia 10.

Ele é formado pelos três sub-índices, o IPA-DI, o IPC-DI e o INCC-DI, calculados para o período do mês fechado.

O IGP-DI é um índice amplo de inflação e considera itens de bens de consumo, como alimentação e moradia; e bens de produção, como materiais de construção e matérias-primas.

Além dos outros componentes, entram também no IGP-DI os preços de despesas com aluguel, condomínio, empregada doméstica, bebidas e fumo, remédios, legumes e frutas, embalagens e despesas diversas como mensalidade da internet, correio, cartório etc.

IGP-M – Índice Geral de Preços do Mercado

O Índice Geral de Preços do Mercado, IGP-M, é a soma de vários índices e representa, em partes, a inflação. Muito usado pela área imobiliária, o IGP-M tem como uma de suas principais funções servir como índice para a correção de valores de aluguéis, além de ser usado amplamente por empresas prestadoras de serviço, como escolas e planos de saúde, como indexador de contratos. Também responde parcialmente pelo reajuste de tarifas de empresas dos setores de telefonia e energia elétrica.

A coleta de dados do IGP-M começa no dia 21 de um mês e termina no dia 20 do mês de referência. A divulgação dos dados é feita na última semana do mês. Antes do resultado final, o IGP-M tem duas prévias, com as coletas do dia 21 ao dia 30, e do dia dia 21 ao dia 10.

IGP-10 – Índice Geral de Preços 10

O Índice Geral de Preços 10, IGP-10, como o nome indica, mede a evolução dos preços no período entre o dia 11 do mês anterior e o dia 10 do mês atual. Seus resultados são divulgados por volta do dia 15 de cada mês.

O que é e como funciona o IPA

O IPA, Índice de Preços do Atacado, tem como principal função medir as variações de preços do atacado. Ou seja, ele considera somente produtos e serviços negociados entre empresas. É diferente do que acontece no varejo, que considera também o consumidor final no cálculo.

O foco do IPA desde a sua criação, em 1947, sempre foi a análise dos preços das matérias-primas agrícolas e industriais, que representam o foco do mercado atacadista. Em 2010, sua nomenclatura teve uma alteração e passou de Índice de Preços do Atacado para Índice de Preços ao Produtor Amplo. Essa mudança deu mais sentido ao trabalho realizado pela FGV no levantamento do IPA, tendo em vista que esse índice conversa diretamente com o mercado de atacado, ou seja, o produtor.

O IPA tem um grande impacto na formação do Índice Geral de Preços, IGP. 60% do indicador provém do Índice de Preços ao Produtor Amplo, o que mostra uma grande relevância. A grande participação do IPA no IGP também se aplica às suas variações.

É a Fundação Getúlio Vargas, FGV, quem calcula e controla o cálculo do IPA. O controle é mensal e geralmente compreende o período entre o primeiro e o último dia útil de cada mês. As informações são compartilhadas em três formatos diferentes:

  • IPA-DI: É o cálculo que apresenta a Disponibilidade Interna do indicador. Esse índice é usado no cálculo do IGP-DI, e considera a variação dos preços no período entre o primeiro e o último dia do mês.
  • IPA-M: Usado no cálculo do IGP-M, o IPA-M é o Índice de Preços ao Produtor Amplo relacionado ao Mercado. O dado apresenta a variação dos preços no atacado entre os dias 21 de um mês e 20 do mês de referência do índice.
  • IPA-10: Este índice é usado no cálculo do IGP-10 e considera a variação dos preços atacadistas entre os dias 11 do mês e 10 do mês de referência.

 

O que é como funciona o IPC

O Índice de Preços ao Consumidor, IPC, é um índice calculado pela Fundação Getúlio Vargas e mede a variação de preço de um conjunto de bens e serviços de famílias com renda entre 1 e 33 salários mínimos mensais residentes nas capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Brasília..

O cálculo considera do IPC a variação de preço de itens como Alimentação, Comunicação, Educação, Habitação, Leitura e Recreação, Saúde e Cuidados Pessoais, Transportes, Vestuário e outras Despesas Diversas.

O IPC tem algumas variações. Entenda cada uma delas.

IPC-S

O IPC-S é o Índice de Preços ao Consumidor Semanal e, como o próprio nome diz, considera a variação de preços de bens e serviços ao consumidor de forma semanal e seus fechamentos ocorrem nos dias 7, 15, 22 e 30 de cada mês.

IPC-DI

O Índice de Preços ao Consumidor – Disponibilidade Interna é calculado com base na variação de preços entre o dia 1 e o último dia do mês vigente. É um dos indicadores usados para o cálculo do IGP-DI.

IPC-M

O Índice de Preços ao Consumidor – Mercado calcula a variação dos preços considerando o período entre o dia 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.

IPC-10

Assim como nos demais exemplos, o IPC-10 também calcula a variação nos preços, mas considera o período compreendido entre o dia 11 do mês anterior e o dia 10 do mês de referência.

IPC-3i

O IPC-3i é o Índice de Preços ao Consumidor da 3ª idade, e considera a variação de preços para indivíduos com mais de 60 anos de idade. O indicador tem como função observar o impacto da variação dos preços no custo de vida dessa parcela crescente da população.

Além de medir a evolução do custo de vida dos idosos, o IPC-3i também serve de referência para a execução de políticas públicas nas áreas de saúde e previdência.

IPC-Fipe

IPC-Fipe é a sigla para o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas e, como o nome diz, é calculado pela Fipe. O índice tem como principal objetivo medir a inflação na cidade de São Paulo e é calculado medindo o mês cheio, ou seja, do dia 1 ao último dia do mês.

O indicador reflete o custo de vida de famílias residentes em São Paulo com renda entre 1 a 10 salários mínimos. São considerados sete grupos de análise para o IPC-Fipe: habitação, alimentação, transportes, despesas pessoais (itens como bebidas, recreação, fumo e artigos de higiene e beleza), saúde, vestuário e educação.

O que é e como funciona o INCC

O INCC é o Índice Nacional de Custo de Construção e é calculado pela FGV. O indicador mede a variação dos custos das matérias-primas usadas em construções habitacionais e é usado para reajustar as parcelas dos imóveis comprados na planta, durante a fase de construção.

O cálculo do INCC considera o custo de materiais, equipamentos, mão de obra, serviços e tecnologia necessários para a construção civil em sete capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Porto Alegre de Brasília.

Assim como os demais indicadores, o INCC também é divulgado em diferentes versões.

  • INCC-DI: Considera os dados coletados no mês cheio, ou seja, do dia 1 ao último dia do mês de referência.
  • INCC-10: Considera os dados coletados entre o dia 11 do mês anterior e o dia 10 do mês atual.
  • INCC-M: Considera os dados coletados entre o dia 21 do mês anterior e o dia 20 do mês vigente.

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