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Inflação do IPCA-15 acelera para 0,45% com alimentos e supera expectativa do mercado

Postado por: TC Mover em 23/09/2020 às 17:17

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – 15, IPCA-15, de setembro acelerou para 0,45%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE.

Puxado pelo preço dos alimentos, o percentual ficou acima do consenso de analistas de mercado, de alta de 0,39%, e do resultado de agosto, que foi de 0,23%.

 

No acumulado do ano, o índice avançou 1,35% e, em 12 meses, 2,65%. Entretanto, especialistas não veem a alta deste mês como alerta de inflação descontrolada ou risco para a estabilidade dos juros básicos.O IPCA-15 serve de prévia do IPCA do mês fechado, que é considerado o índice oficial de inflação pois é usado pelo Banco Central, BC, em suas metas.

 

O número 15 representa o período de coleta de dados, que é do dia 16 de um mês ao dia 15 do mês de referência. O cálculo do índice é feito ponderando grupos de produtos e serviços mais consumidos pelas famílias com renda entre 1 e 40 salários-mínimos, com pesos diferentes conforme o consumo.

O peso dos alimentos

A alimentação pesou na alta do IPCA-15 deste mês, com alta de 1,48%. No acumulado em 12 meses, o item alimentação sobe 7,35% e, em 12 meses, 9,93%. O tomate, com 22,53% de aumento no mês, o óleo de soja, 20,33%, o arroz, 9,96%, o leite longa-vida, 5,59% e as carnes, com 3,42%, impulsionaram esse resultado. Contudo, três setores apresentaram queda e impediram uma alta mais forte do IPCA-15 no mês: o vestuário, com -2,18%, os transportes, -0,85% e os artigos de residência, -0.09%.

 

Se a alta dos alimentos é de praticamente 11% no ano, os preços dos serviços seguem zerados, observa Daniel Weeks, economista chefe da Garde Asset em entrevista para o TC. Assim, ele espera que o BC consiga manter sua política de juros baixos.

A inflação voltou?

A média das cinco principais medidas de núcleo da inflação, que exclui os itens mais voláteis, permaneceu baixa: 0,13% em setembro contra 0,15% em agosto. Porém, o índice de difusão, que mede a percentagem de bens em alta na cesta padrão, ultrapassou 58% em setembro, ante 52% em agosto, um sinal de preocupação pelo maior número de itens com aumento de preços.

 

Levando em consideração os dados do IPCA-15 de setembro, observa-se que as medidas do núcleo da inflação, assim como as altas de preços no setor de serviços vieram abaixo do esperado e significativamente abaixo da meta, que atualmente é de 4%, com uma margem de flexibilidade de 1,5% para baixo ou para cima.

 

“Os cavaleiros do Apocalipse temiam que as recentes altas de produtos no atacado seriam repassadas para o varejo rapidamente. Muitos gastam horas e soltam hashtags semana atrás de semana falando que o dragão da inflação voltou. Parece que desta vez erraram de novo”, comenta o diretor do TC Mover, Guillermo Parra-Bernal.

Alta não preocupa especialistas

A alta do IPCA-15 não apresenta um nível preocupante na avaliação de Felipe Sichel, estrategista-chefe do Banco Modalmais. Ela e reforça a postura de juros baixos do Comitê de Política Monetária, Copom, traduzida na ata desta terça-feira.

 

“Ele [IPCA-15] reforça a percepção dos vetores de aceleração em voga nas discussões recentes, mas indica também que as métricas acompanhadas pelo Banco Central permanecem baixas e com espaço para avançar”, aponta Sichel.

 

A corretora Guide Investimentos considera a alta do IPCA-15 transitória, sem a necessidade de elevar a expectativa da inflação. Segundo os economistas da corretora, as incertezas sobre o coronavírus podem manter uma baixa demanda e inibir preços altos, principalmente no setor de serviços.

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