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Inflação no Brasil não parece tão temporária, diz Credit Suisse

Postado por: TC Mover em 28/04/2021 às 18:15
Inflação no Brasil

São Paulo, 28 de abril – Um relatório do Credit Suisse, divulgado hoje, deixou um alerta para o Banco Central: o choque atual de inflação no Brasil não parece ser tão temporário assim, como vem sustentando a autoridade monetária em suas comunicações.


Alta da inflação no Brasil deveria gerar preocupação, segundo economistas

Por causa disso, a economista-chefe Solange Srour e o economista Lucas Vilela, que assinam o estudo, observaram que o BC não deveria se comprometer com uma normalização apenas parcial da política monetária. A autarquia deveria manter, assim, os juros em patamar excepcionalmente baixo.

O relatório do Credit Suisse trouxe quatro grandes motivos para sustentar que a alta inflação no Brasil em 2021 não é pontual e deve preocupar, até pelo longo histórico do Brasil de inflação acima da meta e erros na comunicação da autoridade monetária.


Deterioração das contas públicas diminui credibilidade fiscal do governo, disse o Credit Suisse

A primeira razão são as contas públicas, que se deterioraram substancialmente, diminuindo a credibilidade fiscal do governo. Isso ocorre em meio à maior necessidade de financiamento do poder central. Também há a piora do perfil da dívida e cenário menos benigno para o avanço de reformas. Os fatores citados tendem a aumentar o prêmio de risco, e consequentemente, as taxas de juros.

Um segundo motivo ligado à inflação no Brasil é a alta do dólar, que “tem sido bem mais persistente do que o esperado anteriormente”, segundo os analistas. O real se desvalorizou em dez dos 14 meses desde o início da pandemia, acumulando perdas de 37%.


Desvalorização do real não é temporária, assim como impactos para a inflação no Brasil

Os economistas analisaram ainda que a desvalorização da moeda brasileira não é temporária, nem como os impactos sobre a inflação. O que leva ao terceiro motivo, que é a deterioração das expectativas do mercado para a inflação

Por último, os economistas do Credit Suisse citaram a alta nos preços das commodities e dos preços de frete desde o início da pandemia como fator para a inflação no Brasil. Eles também falaram da quebra de abastecimento e ruptura logística. O problema levaria a uma desorganização de cadeias produtivas, algo que tem se mostrado mais permanente do que o previsto.


Histórico brasileiro também pesou para análise do Credit Suisse

Além de todo esse cenário, pesa também o histórico do Brasil. No relatório, os analistas dizem que “desde o início do sistema de metas de inflação, em 1999, a inflação tem sido superior à meta de quase três quartos do tempo. Ainda, o BC furou o teto da meta em quatro anos e o limite inferior em apenas um ano”.

Mesmo quando a inflação no Brasil permaneceu dentro do intervalo da meta, em 78% deles, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, subiu 42% a mais do que a meta durante este período, segundo os autores. “Isso é equivalente a uma inflação de 1,6 ponto percentual a mais do que a meta a cada ano”, dizem.

Por isso, ressaltam a uma semana da próxima reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom, que “choques temporários” acabam não sendo tão “temporários” no Brasil.

Texto: Bárbara Leite
Edição: Guilherme Dogo e João Pedro Malar
Arte: Vinícius Martins / TC Mover


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