Inflação de agosto é a maior para o mês desde 2000 - TC
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Inflação avança 0,87% em agosto; é a maior para o mês desde 2000

Postado por: TC Mover em 09/09/2021 às 10:00
Inflação sobe

São Paulo, 9 de setembro – Puxado por combustíveis, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, medida de inflação oficial do país, subiu mais do que o mercado previa em agosto. O indicador teve a maior variação para o mês desde 2000, aproximando o acumulado de 12 meses no patamar de dois dígitos. Os dados foram divulgados na manhã desta quinta-feira, 9, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

De acordo com o IBGE, a inflação de agosto teve alta de 0,87%, acima dos 0,71% estimados pela Mover. A taxa é levemente menor do que a registrada em julho, quando subiu 0,96%. Com isso, o IPCA acumula elevação de 9,68% nos últimos 12 meses.

Gasolina puxa a inflação

No mês passado, a inflação foi puxada pelo grupo de transportes, especialmente pela gasolina, que subiu 2,80% e teve o maior impacto individual no índice. Entre os maiores grupos setoriais, sete entre nove apresentaram aceleração nas taxas, com destaque para alimentação e bebidas, que passou de 0,60%, em julho, para 1,39%, em agosto; e vestuário, que subiu de 0,53% para 1,02%.

O grupo de habitação, que contempla a alta da energia elétrica, teve forte desaceleração, de 3,10%, em julho, para 0,68%, no mês passado. Esse resultado se deu justamente pela eletricidade, que reduziu a alta de 7,88% para 1,10%. No mês passado, vigorou a bandeira tarifária de patamar 2, que adicionava R$9,492 a cada 100 kilowatts/hora. Mas desde o início de setembro essa bandeira tarifária tem aumento de quase 50%, passando para R$14,20.

Pressão da inflação nos bens ligados à indústria

Segundo o TC Matrix, o índice de difusão da inflação aumentou em agosto, chegando a 71,88%, ante os 63,66% observados em julho. Isso significa que mais bens apresentaram aumento de preços no período. Ainda de acordo com cálculos do TC Matrix, a inflação de serviços desacelerou de 0,68% para 0,40%. Mas na indústria a taxa acelerou de 0,94% para 1,36%, o que sugere os problemas de gargalo na cadeira de suprimentos.

O economista do TC Matrix Fabrício Henrique diz que o cenário inflacionário “se deteriorou em relação ao descrito na última reunião do Comitê de Política Monetária”. No IPCA de agosto, Henrique destaca a continuidade da pressão da inflação nos bens ligados à indústria, enquanto os preços ligados ao setor de serviços desaceleraram. “Importante destacar que esse resultado tende a gerar novas revisões nas expectativas no próximo boletim Focus, o que pode justificar uma atuação mais firme do Banco Central na próxima reunião do Copom”, conclui.

A expectativa sobre as ferramentas a serem usadas pelo Banco Central para conter a inflação é o que pesa na curva de juros, que nesta manhã dispara de ponta a ponta. Diferentemente dos últimos dias, porém, a maior alta é observada nos contratos mais curtos, para janeiro de 2022 e 2023, com altas de 22 e 27 pontos-base, respectivamente. Nos outros DIs a alta é de 20 pontos-base.

Texto: Guilherme Dogo
Edição: Lucia Boldrini e Stéfanie Rigamonti
Arte: Vinicius Martins / Mover


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