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Investimento global: bolsa lança mais 72 BDRs de ações estrangeiras; lista tem AstraZeneca e BioNtech

Postado por: TC Mover em 19/10/2020 às 16:58

São Paulo, 19 de outubro – Imagine aplicar parte das economias em ações da Microsoft, Apple, Netflix ou Coca-Cola aqui no Brasil e em reais. Esse investimento hoje é possível apenas por meio de fundos de investimento, mas em breve deve estar acessível também para pequenos investidores, por meio dos Brazilian Depositary Receipts, ou BDRs, recibos de ações estrangeiras negociados na B3. 

O sinal verde já foi dado pela Comissão de Valores Mobiliários, CVM, e aguarda apenas a regulamentação pela B3. E a lista disponível cresceu ainda mais hoje, com mais 72 BDRs, que elevarão o total de estrangeiras negociadas aqui para 671, mais que as cerca de 350 empresas brasileiras hoje negociadas na bolsa. 

A lista das novidades inclui os badalados laboratórios que estudam vacinas para o coronavírus, como o britânico AstraZeneca, a dinamarquesa Novartis e o alemão BioNtech, e o também britânico GlaxoSmithKline. Chegam também ao mercado brasileiro a petroleira britânica BP e a chinesa China Petroleum, além da Unilever e os bancos HSBC e Sumitomo. 

Os novos BDR são não patrocinados

Os BDRs lançados hoje são do tipo não patrocinado, o que significa que a empresa não tem nada a ver com a oferta do papel aqui. Nesse caso, um banco compra as ações lá fora e emite aqui um recibo, o BDR, que vai seguir exatamente as cotações do papel lá fora, corrigidos pela cotação do dólar ou da moeda do país onde a ação original é negociada. Assim, a empresa não tem obrigação de publicar balanços ou fatos relevantes aqui no Brasil em português. 

Outro tipo de BDR é o patrocinado, quando a própria empresa pede para a CVM para emitir os recibos no Brasil. Nesse caso, ela se obriga a prestar contas de acordo com as regras locais para os investidores. 

Liberação de BDR para pessoas físicas

Em 28 de setembro, a B3 reduziu o lote mínimo de BDRs. Os não patrocinados passaram de 10 para uma unidade e os patrocinados, de 100 para 1 unidade, o que facilitará ainda mais a entrada de pessoas físicas de varejo. 

O grande número de BDRs e sua liberação para as pessoas físicas de varejo preocupa um pouco alguns analistas, que temem um aumento da concorrência estrangeira com os papéis brasileiros. Outros, porém, destacam a grande vantagem para o investidor, que vai poder aplicar em papéis de diversos países e de muitos setores que nem estão na bolsa brasileira. 

Por serem cotados em moeda estrangeira, esses papéis trazem também a diversificação cambial para a carteira do investidor, mas com ela também o risco da valorização do real. Por isso, a CVM e a bolsa têm tomado muito cuidado ao estender o investimento para o varejo. 

Hoje, apenas investidores qualificados, com mais de R$1 milhão de patrimônio, podem investir em BDRs. Mas algumas corretoras e bancos têm carteiras recomendadas de BDR, como o BB Investimentos, a Elite Investimentos e o Santander.

Mudança na regra dos BDRs

Em 11 de agosto, a CVM divulgou a mudança da regra de acesso aos BDRs ampliando-o para as pessoas físicas. A partir disso, a B3 passou a trabalhar na operacionalização do produto, submetendo seus regulamentos para aprovação da CVM. 

Somente após a validação da autarquia, o produto ficará disponível para o investidor de varejo, explica a bolsa. “Nossa expectativa é que no mês de outubro as pessoas físicas possam efetivamente investir em ações internacionais”, disse em setembro Mario Palhares, diretor de Produtos Listados da B3.

A nova regra também permite o desenvolvimento do mercado de ETFs no Brasil, pois a CVM autorizou ETFs estrangeiros e títulos de dívida como lastros dos BDRs. “Essas alterações são uma excelente oportunidade para ampliar as alternativas de investimentos no país e fortalecer, ainda mais, o mercado financeiro e de capitais brasileiro”, complementa Paiva.

Texto: Angelo Pavini
Edição: Letícia Matsuura
Imagem: Divulgação

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