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IPCA sobe 0,89% em novembro, maior alta no mês desde 2015, e acumula 4,13% em 12 meses

Postado por: TC Mover em 08/12/2020 às 17:58

São Paulo, 8 de dezembro – O Índice de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, subiu 0,89% em novembro na comparação mensal, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE. Esta é a maior alta entre as variações de novembro desde 2015. O índice acelerou em relação a outubro, quando aumentou 0,86%, e ficou acima do consenso de 0,78%. Os grupos de alimentação e de transportes impulsionaram a inflação. 

Em 2020, o índice acumulou alta de 3,13%, enquanto no acumulado de 12 meses soma 4,13%. Na comparação anual, também houve aceleração. Em novembro de 2019, o IPCA subiu 0,51%.  

O IPCA é o índice da inflação oficial do Banco Central e acompanha os preços dos principais produtos e serviços consumidos pelas famílias com renda entre um e 40 salários-mínimos.

IPCA de 2020 deve ficar perto da meta do BC

Com a alta de novembro, o IPCA em 12 meses supera a meta do Banco Central para este ano, de 4,0%. Há, porém, um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo, o que significa que mesmo que os preços em dezembro subam mais, puxados pelo reajuste da energia elétrica e da nova bandeira vermelha tarifária, o IPCA ainda deverá ficar perto da meta do BC, permitindo a manutenção da taxa de juros básica em 2,0%.  

A aceleração do índice deve fazer os economistas reverem suas estimativas para o IPCA do ano. Felipe Sichel, do banco digital Modalmais, trabalhava com 4,3%, mas agora diz que vai rever para cima o índice. Já a média dos núcleos do IPCA ficou abaixo da meta, o que permitirá ao BC reiniciar a alta da Selic no fim do primeiro semestre do ano que vem. 

Já a equipe econômica da Genial Investimentos projeta um IPCA fechando o ano em 4,38%, ainda perto do centro da meta de inflação. Para a Genial, a inflação continua bem comportada com as medidas de núcleo próximas das respectivas metas tanto para 2020 quanto para 2021. Mas os choques recentes de preços, como de alimentos e combustíveis, diminuíram a folga das projeções para a meta de 2021. 

“Portanto, avaliamos que o Copom deve manter a Selic em 2% a.a. na decisão de amanhã, mas deve excluir afirmações de que frase que diz que há espaço remanescente para cortes pequenos na taxa básica”, afirma a Genial. 

O Copom deve indicar a chamada “assimetria no balanço de riscos”, com viés altista na inflação, mas sem mudança no tom do forward guidance dos juros, mantendo a estimativa de estabilidade da Selic nos próximos meses. 

Quase 90% do IPCA foi alimentação e transportes

O grupo de alimentação correspondeu a 0,53 ponto percentual do 0,89 ponto do IPCA. Os alimentos e bebidas aumentaram 2,54% em novembro. Outro setor que impulsionou a inflação deste mês foi o de transportes, que subiu 1,33% pelo aumento dos combustíveis. Os transportes foram responsáveis por 0,26 ponto percentual do índice.

Grupo - IPCA - novembro

A batata inglesa e a carne contribuíram para a alta do grupo dos alimentos, subindo 29,65% e 6,54%, respectivamente. Os aumentos de 18,45% do tomate, 6,28% do arroz e 9,24% do óleo de soja encareceram a cesta básica de novembro. Já o leite longa vida caiu 3,47%.

Nos transportes, os combustíveis, subindo 2,44%, se destacaram, principalmente o etanol, que fixou 9,23% mais caro. As tarifas de ônibus urbanos, entretanto, caíram 0,15%, influenciadas pela queda de 1,92% em Porto Alegre.

Goiânia lidera alta em novembro

Goiânia teve a maior alta, 1,44%, entre as 16 capitais estudadas pelo IBGE. Em seguida estão Salvador e Rio Branco, subindo 1,17% e 1,10%. Em quarto, a capital paulista, que tem o maior peso, aumentou 1,04%. Já o Rio de Janeiro, teve a quinta menor variação em novembro, elevando os preços em 0,69%.

De acordo com o IBGE, os dados foram coletados entre 28 de outubro e 27 de novembro e feita uma comparação mensal.

Cidades - IPCA - novembro
Fonte: IBGE

No acumulado do ano, Campo Grande lidera o ranking com alta de 5,26%. A capital do Acre, Rio Branco, aparece em segundo, com aumento de 4,68%. São Paulo ficou um pouco abaixo, com 3,27% e o Rio de Janeiro, abaixo do acumulado do IPCA em 2020, somando 2,43%.

Texto: Letícia Matsuura
Edição: Angelo Pavini
Imagem: Vinícius Martins/TC

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