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IPOs crescem 206% no ano e puxam ofertas de ações; estrangeiro reduz compras

Postado por: TC Mover em 07/10/2020 às 20:49

São Paulo, 7 de outubro – As ofertas de ações neste ano até setembro já atingiram o valor de R$69,2 bilhões, um aumento de 20,5% em relação ao mesmo período do ano passado, informou hoje a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, a Anbima. 

Desse total, as ofertas iniciais de ações, de empresas que entraram na bolsa, somaram R$13,8 bilhões, ou 206% mais que no período de janeiro a setembro do ano passado. Foram 11 ofertas no ano, mais sete estão em andamento e 48 estão em análise na Comissão de Valores Mobiliários. As ofertas subsequentes, de empresas que já estavam na bolsa, atingiram R$55,4 bilhões, ou 4,7% mais na base anual.

No terceiro trimestre, as ofertas de ações em geral somaram R$32,2 bilhões, queda de 3% sobre o mesmo trimestre do ano passado. Já os IPOs somaram R$9,5 bilhões, 156% mais que no mesmo trimestre de 2019, compensando a queda das ofertas subsequentes, que movimentaram R$22,8 bilhões, uma redução de 22,7% na base anual.

Ofertas de ações nos próximos meses

Para os próximos meses, porém, o cenário é menos favorável do que no terceiro trimestre para as ofertas públicas iniciais, diante da piora dos cenários externo, com a pandemia e eleição americana, e interno, com preocupações fiscais. 

Mas ofertas de boas empresas continuarão tendo espaço, afirma Sergio Goldstein, vice-presidente do Fórum de Mercado de Capitais. “Não será o mesmo volume que vínhamos vendo, os emissores devem ser mais cautelosos e os investidores mais seletivos”, diz.

Participação estrangeira cai

O crescimento das ofertas de ações aconteceu apesar da forte redução do interesse dos estrangeiros por essas operações. A participação dos investidores externos, que no ano passado foi de 44,6% do valor das ofertas, caiu para 24,4% este ano. 

Essa redução foi compensada pelo aumento da participação dos investidores institucionais e dos próprios acionistas, que aumentaram sua fatia de 6,9% para 19,8%. As pessoas físicas também aumentaram sua participação, de 5,8% para 8,2%, e os fundos, de 42,7% para 46,6%.

Segundo Goldstein, os estrangeiros reduziram participação, mas foram substituídos pelos investidores locais, que estão buscando opções diante da queda dos juros e do menor rendimento da renda fixa. O estrangeiro continua sendo importante, diz, mas o investidor local está ganhando espaço e sustentando as ofertas.

Alta expressiva nas operações primárias

Outro ponto positivo foi o perfil das ofertas de ações, com maior volume de operações primárias, de captação de recursos para as empresas usarem em suas operações. No total do ano, as ofertas primárias somaram R$38,7 bilhões, 113,8% mais que no mesmo período do ano passado. Já as secundárias, nas quais o dinheiro vai para o bolso dos sócios, movimentaram R$30,5 bilhões, queda de 22,5% na base anual. “Isso mostra que o mercado de capitais está ajudando a financiar o crescimento das empresas e da economia”, diz Goldstein.

Texto: Angelo Pavini
Edição: Letícia Matsuura
Imagem: Divulgação

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