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Leilão de transmissão deve vingar, mas disputa judicial assombra

Postado por: TC Mover em 16/12/2020 às 10:31

São Paulo, 16 de dezembro – O primeiro e único leilão de transmissão do ano será marcado por forte concorrência, refletindo a maior capacidade das empresas participantes para se alavancarem e a possibilidade de antecipação de receita, uma vez que a maioria dos lotes são para reforços, com algumas empresas já em obras em determinadas regiões.

A Agência Nacional de Energia Elétrica, Aneel, deve ofertar até 11 lotes com a previsão de instalação de 1.959 quilômetros em linhas de transmissão, divididos entre os estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo, com investimento total de R$7,34 bilhões. O certame acontecerá na B3, nesta quinta-feira, partir das 09h00.

Leilão da Aneel atrai diversificados, mas TCU pode reduzir número de lotes

O certame deve atrair os principais participantes do mercado, desde grupos verticalizados como a Neoenergia, código NEOE3, até transmissoras puras, como a Taesa, código TAEE11, fazendo deste um dos leilões mais disputados entre os últimos realizados, em função do aumento do número de empresas interessadas, de acordo com Luis Sales, estrategista-chefe da Guide Investimentos. 

Por trás das perspectivas de Sales estão, por um lado, o apetite demonstrado no recente leilão da distribuidora CEB em que a Neoenergia e a CPFL, código CPFE3, elevaram o ágio do leilão e, pelo outro, a demanda esperada para todos os lotes, por conta da diversificação geográfica.

Procurada, a Aneel disse que ainda não tem nenhuma novidade relacionada ao tema. A exclusão dos lotes, localizados na grande São Paulo, somariam R$2,5 bilhões em investimentos.

Leilão de transmissão do setor elétrico é alternativa para investidor

O setor elétrico é considerado um porto seguro para os investidores. As receitas são garantidas, mas a área de transmissão é aquela considerada de menor risco, diante da receita anual permitida já estabelecida em contrato antes mesmo do projeto ficar de pé. Com os juros baixos, o leilão e o setor oferecem uma alternativa e tanto para o investidor. 

“O investimento no leilão de transmissão é um substituto dos juros baixos, porque ele tem mais proximidade com um título de renda fixa”, diz Felipe Viana, estrategista-chefe da Valor Investimentos.

Em relação à capacidade financeira das empresas que podem participar do certame, analistas do Credit Suisse liderados por Carolina Carneiro afirmam que o espaço para lances agressivos está limitado, diante da relação entre gasto de capital, ou capex, e a receita anual estabelecida em torno de 14% nesse certame, sendo que em leilões anteriores era de 17%. 

De acordo com Pedro de Marco, sócio da Reach Capital, as empresas conseguem economizar de saída 10% do capex. “Um trecho com obra no local pode economizar ainda mais. Eu estou esperando muita competitividade”, aponta.

De Marco ressalta que a Neoenergia, Alupar e Argus talvez levem o lote 10, localizado no Ceará. “No caso da Neoenergia, a alavancagem subiu por conta da CEB, mas tem espaço no balanço. A ISA Cteep é um player muito importante. Já Taesa e Alupar, que estão tentando uma chegar na outra, são empresas que buscam muito crescimento”, disse.

Leilão pode reduzir chances de parque energético superaquecer

O leilão também poderia ajudar a afastar riscos de um superaquecimento no parque energético, já que o país vai precisar de maior volume de energia contratada para a retomada da economia, disseram analistas e economistas. Chama a atenção no leilão que a figura do especulador pode ter se encerrado, após a Aneel impor uma regra que proíbe que os ativos sejam vendidos antes da entrada em operação. 

Texto: Leandro Tavares
Colaboração: Igor Sodré
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Letícia Matsuura
Imagem: Vinícius Martins/TC

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