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Lira turca tomba, azeda mercados e deve respingar no Brasil; Powell no radar: Espresso

Postado por: TC Mover em 22/03/2021 às 9:41
Crise na Turquia pode respingar no Brasil

São Paulo, 22 de março – Os rendimentos dos títulos de dívida americanos de dez anos operam em baixa expressiva nesta manhã, abaixo de 1,7%. Entretanto, os futuros dos índices acionários de Nova Iorque e as bolsas europeias operam mistos. Além da cautela antes de pronunciamento do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e uma bateria de comentários de outros dirigentes da autarquia, preocupa a situação da Turquia depois da demissão inesperada do presidente do banco central que, na quinta-feira, promoveu a elevação da taxa de juros básicos de 17% para 19%.


Medo de controle de capital na Turquia favorece busca por títulos nos EUA

O investidor imaginava que tinha sido uma decisão consensual com o governo. O medo é de imposição de controles de capital que piore a sensação de uma crise de balanços de pagamentos no país. Esse ambiente favorece o movimento defensivo rumo aos títulos dos Estados Unidos e os bônus europeus, derrubando os rendimentos. As ondas de choque afetam outros emergentes, incluindo o Brasil.

A situação da Turquia reflete os dilemas de política monetária de países emergentes frágeis, onde o combate à inflação e a ancoragem cambial podem ser impactadas por decisões populistas. A lira turca desvaloriza mais de 10% ante a divisa americana e chegou a pagar 8,47 por dólar. Também caem o rand sul-africano, o rublo russo e, com mais força, o peso mexicano.

Contudo, os mercados podem estar exagerando, hoje, no azedume sobre a Turquia, destaca o editor Guillermo Parra-Bernal: a probabilidade de crises de dívida em emergentes no curto prazo é, reconhecidamente, baixa e contida por uma liquidez global abundante, taxas de juros reais abaixo das chamadas taxas neutras e saldos de conta corrente mais fortes.

Para contribuidores e gestores consultados pela TC Mover, a maior parte do aumento da dívida pública na pandemia ocorreu em moeda local, o que reduz o risco de interrupção repentina do financiamento externo. No entanto, os emergentes não têm histórico de sucesso na resolução de potenciais crises de dívida.

Texto: TC Mover
Edição: Letícia Matsuura
Arte: TC Mover

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