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Medo de inflação puxa yields e abate NY; Ibovespa e dólar se ajustam à Selic: Espresso

Postado por: TC Mover em 18/03/2021 às 9:48
Selic

São Paulo, 18 de março – As bolsas americanas bateram recordes ontem com a mensagem ultradócil do Fed, o banco central dos Estados Unidos. Seu presidente, Jerome Powell, afastou momentaneamente o temor de redução antecipada dos incentivos para os mercados e descartou necessidade de mudar a política atual, de juro perto de zero pelos próximos dois anos mesmo com inflação acima da meta.


Mercado está cauteloso nesta manhã

Nesta manhã, porém, o cenário volta a ser de cautela, questionando se essa promessa poderá ser cumprida à medida que a economia se recupera. Retorna o movimento de venda dos títulos de longo prazo do Tesouro e a consequente elevação dos rendimentos dos Treasuries de dez anos, que rondam 1,7%.

O Índice DXY está em alta, revertendo perdas. No pré-mercado de Nova Iorque, como ontem antes do Fed, as maiores empresas de tecnologia sinalizam baixa, pressionando o Nasdaq e contaminando o S&P 500; o Dow Jones, que ontem bateu os 33 mil pontos, tem viés de alta. Mas Ásia subiu, e europeias também antes da decisão de juros do Banco da Inglaterra.

Pelo Banco Central Europeu, Christine Lagarde disse que a expectativa é de firme recuperação da atividade econômica no segundo semestre. O petróleo opera em baixa pela quinta sessão seguida.


Taxa Selic deve ficar a 3,50% em maio

No Brasil, para os mercados é dia de ajuste à realidade de que a Selic deve a 3,50% já em maio, após a surpresa da alta de 0,75 na taxa ontem e da indicação de que a dose se repetirá na próxima reunião do comitê decisório de juros, o Copom.

O Banco Central, agora autônomo, esclareceu que é preponderante controlar a inflação, o que agrada o mercado. A alta mais rápida dos juros, que estavam em suas mínimas históricas no Brasil, vai garantir o cumprimento da meta deste ano. O resultado deverá ser visto hoje nos mercados futuros de DI, com alta das taxas curtas e queda ou altas menores nas longos, em movimento de desinclinação, e no comportamento do dólar, com valorização do real.

O Ibovespa, que no cenário de juros historicamente baixos não tinha concorrentes em rentabilidade, volta a tê-los e de modo geral tende a perder capital com a elevação forte dos juros – movimento que pode se acentuar se faltar o suporte positivo do mercado de Nova York. O contraponto para o Ibovespa é que os bancos, que tem peso forte na composição do índice, se beneficiarão com a alta dos juros.

Texto: TC Mover
Edição: Letícia Matsuura
Arte: TC Mover

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