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Mercado estranha leilões do BC no câmbio e vê atuação por Copom

Postado por: TC Mover em 10/03/2021 às 16:55
BC

São Paulo, 10 de março – O Banco Central, BC, está ativo no mercado de câmbio nesta quarta, tendo realizado já dois leilões extras, mesmo quando a divisa esboçava uma queda. A atuação fora dos padrões, de somente evitar desequilíbrios e deixar a moeda flutuar, levou o mercado a questionar a postura da autarquia.


Venda de dólares pelo BC em dia de baixa mostra preocupação com inflação, diz gestor

Logo perto da abertura, o BC realizou um leilão de swap cambial em que vendeu 20 mil contratos, equivalentes a US$1 bilhão. Também foram vendidos 16 mil contratos antes, para rolagem do vencimento de abril. Às 13h30, veio o anúncio da venda de dólares à vista, na qual despejou US$405 milhões.

“BC vendendo dólar em dia de baixa mostra o quanto estão preocupados com a inflação, e tentando não ter de dar 0,75 ponto percentual no Copom”, tuitou Sérgio Machado, gestor na Trópico Latin America Investments.

Economistas revisaram para cima estimativas para a taxa Selic

As operações do BC ocorrem no dia em que vários economistas revisaram para cima estimativas para a taxa básica de juros, taxa Selic, em 2021. As revisões ocorrem diante da piora da inflação e quadro fiscal e político, às vésperas da próxima reunião do Comitê de Política Monetária, Copom, na semana que vem.

A LCA Consultores vê o juro básico fechar 2021 em 4,75%, contra 3,75% antes. Na XP, a estimativa foi de 3,50% para 5,00%. A gestora Quantitas, que previa quatro altas começando na próxima quarta, dia 17 e pausa depois disso, agora espera que a taxa suba dos atuais 2,00% para 6,00% ao ano em janeiro, subindo nas próximas oito reuniões do Copom.

As apostas majoritárias são de aumento da Selic em meio ponto, para 2,50%, na semana que vem. “É provável que o BC tenha entrado vendendo dólares hoje de olho na cotação atual para aumentar a pressão sobre o Copom na reunião do dia 17”, diz José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator em relatório. Por volta das 16h55, o dólar futuro cedia 2,55% a R$5,658.

Texto: Bárbara Leite
Edição: Angelo Pavini e João Pedro Malar
Arte: TC Mover


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