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Mudanças na Petrobras testam governança e confiança do mercado: Espresso Extra

Postado por: TC Mover em 21/02/2021 às 23:12
presidencia da Petrobras

São Paulo, 21 de fevereiro – A decisão do presidente Jair Bolsonaro, que anunciou na sexta-feira, depois do fechamento do mercado, a troca do comando da Petrobras deve puxar dólar e juros para cima, derrubar as ações da estatal, códigos PETR3 e PETR4, e, provavelmente, a bolsa como um todo, deixando ainda mais enrarecido o ambiente econômico e institucional. Essa é a avaliação de gestores, analistas e contribuidores do TC consultados pela TC Mover, a pouco mais de 12 horas da abertura dos mercados desta segunda-feira.


Troca de governança deixa fim de semana agitado

O trader e contribuidor Israel Massa acha que o ajuste das contas públicas e as reformas serão aspectos que o investidor deverá avaliar à medida que mais detalhes surjam sobre o que Bolsonaro pediu, por exemplo, a eliminação temporária de alguns impostos sobre os combustíveis. O fim de semana tem sido suficientemente movimentado e longo para mostrar que o estupor inicial pela atitude de Bolsonaro, de passar por cima da governança da Petrobras e conduzir o nome de um novo diretor-presidente da estatal, diluiu um pouco. Se antes todo mundo apostava em uma guinada ainda mais populista por parte de Bolsonaro, agora o certo é esperar os pronunciamentos e os desdobramentos de amanhã.


Saída de Castello Branco da presidência da Petrobras era vista como inevitável, dizem fontes

Conselheiros da Petrobras, assim como altos funcionários do governo disseram à TC Mover que o clima no momento é de conciliação, de procura por uma solução. Embora a ingerência de Bolsonaro tenha sido inicialmente mal recebida pelo conselho de administração, a saída de Roberto Castello Branco era vista como inevitável há algum tempo, disseram duas fontes. Pelo que ouvimos – e sentimos nas conversas – não parece haver uma rejeição inicial ao nome do general da reserva Joaquim Silva e Luna, conduzido pelo governo ao cargo. “É um homem de diálogo que me parece que manterá e defenderá, sim, a governança da empresa”, disse um dos conselheiros.

Parece também ser consenso entre eles que a governança e conformidade da estatal hoje é muito mais sólida e completa do que era, por exemplo, nos anos do mandato da petista Dilma Rousseff. No entanto, a ingerência na estatal tende a se acirrar ao longo dos próximos meses, na medida em que o ciclo eleitoral – mirando a eleição presidencial de 2022, se torna prioritário. Contudo, o mercado só deve piorar muito se Bolsonaro sinalizar políticas fiscais mais frouxas para impedir uma queda mais forte na popularidade.

Texto: TC Mover
Edição: Letícia Matsuura
Arte: Vinícius Martins/TC Mover

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