Mover

Novo investidor em bolsa é jovem, quer aprender e segue influenciadores, diz pesquisa

Postado por: TC Mover em 14/12/2020 às 18:10

São Paulo, 14 de dezembro – O novo investidor em ações que entrou na bolsa de abril do ano passado para cá é, em sua maioria, jovem, homem, com renda média até R$5 mil, trabalha em tempo integral e arrisca valores pequenos das economias para conhecer o mercado com base em influenciadores digitais. 

Esse é o resultado de uma pesquisa feita pela bolsa brasileira, B3, com 1.300 investidores em junho deste ano, buscando conhecer melhor o perfil desse novo participante, que elevou o total de contas de pessoas físicas na bolsa até a semana passada para 3,2 milhões, ou 88,8% mais que os 1,7 milhões de dezembro de 2019. 

Excluindo pessoas com contas em corretoras diferentes e considerando a dupla contagem de CPFs, o total de investidores em ações hoje é de 2,7 milhões, explica Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes da B3. 

Valor de primeiro investimento cai

Os dados mostram que a proporção entre homens e mulheres que entraram no mercado se manteve entre 75% e 25%, respectivamente. A maioria é jovem, tem até 32 anos, e vem arriscando valores pequenos dos novos recursos para conhecer o mercado. Isso explica a queda no valor do primeiro investimento, de R$1.916 em outubro de 2018 para R$660 em outubro deste ano. 

A pesquisa mostrou três perfis, dos que são avessos a riscos, que representam 18%, os que buscam liquidez, com 39%, e os ousados, que aceitam correr mais riscos para ganhar mais, com 39% também. 

O otimismo dos investidores também se manteve, com 76% afirmando que certamente aplicaria mais recursos em bolsa e 15% dizendo que provavelmente aplicariam. Há interesse também por aplicações em ações internacionais, com 86% dispostos a investir em Brazilian Depositary Recepts, BDRs, recibos de ações dessas empresas. 

O levantamento mostrou também que não foi só a queda dos juros que fez o investidor procurar a bolsa, afirma Paiva. A pesquisa mostrou que 38% disseram que queriam aprender a aplicar em outras modalidades de investimento, enquanto 33% buscavam maior rentabilidade. Já 11% citaram a baixa rentabilidade da poupança e 9% queriam aumentar o rendimento da carteira. 

A maioria, ou 46% aplicaram até R$500,00, percentual que sobe para 58% para aplicações até R$1 mil, o que indica que as pessoas estão chegando com um valor baixo, para aprender, e vão ficando um longo período, afirma Paiva. “Temos muitas entradas e poucas saídas de investidores”, diz.

Segundo a bolsa, dos mais de 1,3 milhão de investidores que entraram no mercado pela primeira vez de janeiro a outubro, 20% a 25% saíram antes de seis meses, percentual inferior ao de 2018, quando a saída ficou entre 20% e 25%.  

Novo investidor busca educação financeira por meio de influenciadores digitais

As principais fontes de educação para os novos investidores são o Youtube e os influenciadores digitais, com 73% dos entrevistados afirmando que aprenderam a investir por esses canais. As plataformas digitais foram citadas por 45% dos novos investidores e 31% falaram da ajuda de amigos. Mídia impressa teve 20% das citações, 18% podcasts e 9% ajuda do gerente. 

Já na hora de se informar, 73% dos investidores também procuram o Youtube. Os influenciadores ficam com 60% e alertas de bancos e corretoras, com 38%. As redes sociais de bancos e corretoras também são importante fonte de informação, com 38%, seguidas pelas redes sociais abertas, com 36%. 

Esses números mostram a importância da discussão pelos reguladores do papel dos influenciadores, afirma Paiva, lembrando que a Comissão de Valores Mobiliários divulgou recentemente pareceres sobre a atividade. “O investidor tem de estar atento para a qualidade, a credibilidade e a reputação dessas fontes”, destaca. 

Sobre a influência das fontes na decisão do investidor, a pesquisa perguntou se ele estaria disposto a investir com base na recomendação de uma dessas fontes. A maioria, 36%, disse que seguiria a recomendação dos portais de internet, 32% do Youtube, 22% relatórios de análise, 19% de grupos de investimento no WhatsApp e 17% de redes sociais e corretoras. 

Metade dos investidores diversifica a carteira

Um bom indicador foi que a diversificação não fica só com ações, mas atinge também outros investimentos. Segundo a pesquisa, 46% disseram que passaram a ter mais de um tipo de renda variável na carteira depois da chegada à bolsa. Em 2016, esse percentual era de 22% e 78% tinham apenas ações. 

A diversificação na renda variável ocorreu especialmente com fundos imobiliários, que passaram de 11% da carteira desses investidores para 32%. Aumentou também o volume de fundos com cotas em bolsa, os ETFs. Hoje, segundo Paiva, 1,4 milhão de investidores em ações têm outros quatro tipos de investimento. 

Sobre de onde veio o dinheiro para investir em bolsa, a maioria, 53%, disse que não tirou os recursos de outra aplicação, usando recursos novos. Já 43% sacaram de outros investimentos, a maior parte, 49%, da poupança. 

“Isso mostra o potencial de novos investidores que ainda temos, levando em conta que há 20 milhões de contas de poupança com mais de R$5 mil”, afirma Paiva. A maioria dos novos investidores, 93%, pretende ampliar os investimentos em renda variável e, 78%, citam especificamente ações. 

A pesquisa mostrou também que a maioria dos grandes investidores não resgataria os recursos por conta de perdas. A maioria, 64%, dizem que tiraria o dinheiro da bolsa se precisasse. Apenas 28% citaram a queda de rentabilidade como motivo para vender as ações. Outros motivos para sair do mercado seriam mudança tributação, 27%, contexto econômico, 23% e aumento de risco, 20%. 

Valor médio negociado por day-trade caiu

A bolsa pesquisou também o segmento de day-trade, de operações mais arriscadas, de compra e venda por um dia. O valor médio negociado nessas operações caiu de R$3,974 mil em 2015 para R$600 este ano, sendo que um grupo de 10 mil investidores concentra 65% das operações. A bolsa calculou também que 60% dos investidores em day-trade tiveram lucro em 2020, com ganho médio de R$48,00, enquanto 40% perderam, em média, R$48,00.

Texto: Angeo Pavini
Edição: Letícia Matsuura
Imagem: TC Mover

Mover Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Saiba Mais