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Paineiras questiona tese de pessimismo apesar da saída dos estrangeiros da B3

Postado por: TC Mover em 08/01/2019 às 16:54

A relativa baixa exposição de investidores estrangeiros na B3, ilustrada pela retirada de R$11 bilhões em 2018, costuma ser apontada como um sinal de desalento do gringo quanto às perspectivas para as ações brasileiras. No entanto, para o gestor da Paineiras Investimentos, David Cohen, os dados de fluxo são insuficientes para verificar se esses investidores – os maiores detentores de ações brasileiras e compradores de IPOs locais – estão de mal com o país.

 

Somando dados do mercado à vista e futuros no segmento BM&F da B3, Cohen nota que os estrangeiros possuem uma carteira em ações brasileiras da ordem de R$1,185 trilhão, frente a uma posição vendida em futuro de R$12,6 bilhões. “A bolsa não sobe por mais compras do que venda. Se ninguém der calote, teremos o mesmo valor de compras e vendas por dia. O que mexe um ativo é se a vontade do comprador de pagar mais caro é maior que a vontade do vendedor de se desfazer deste”, disse o gestor em sua conta no Twitter.

 

O comentário de Cohen é relevante: cada vez mais gestores locais se perguntam se os recentes fluxos de saída dos estrangeiros escondem um viés cético em relação ao mercado acionário brasileiro, que ainda se recupera de anos de desempenho medíocre. Para muitos, o dissenso entre compradores locais e vendedores estrangeiros está se tornando um sinal de alerta; para outros, é um evento que descreve uma situação de mercado na qual o estrangeiro está tirando vantagem da alta do índice Bovespa para vender mais caro.

 

“Se os diversos players locais – institucionais, pessoas físicas, empresas – resolvem comprar bolsa, só sobrará o gringo para vender, mas pode deixar a bolsa subir, para que venda mais caro, ao invés de estar pessimista e vender para baixo”, acrescentou Cohen.

 

Em termos de volume financeiro, os estrangeiros têm participação de quase 49% no mercado local, contra 26% dos fundos locais, ou chamados institucionais; já o saldo da depositária mostra que os estrangeiros têm 62% de participação.

 

Ele comentou que, desde o menor nível da carteira de investidores estrangeiros, em janeiro de 2016, até final do ano passado, o estoque aumentou em R$644 bilhões, em reflexo de impacto relevante da alta nos preços dos ativos em meio às variações de fluxo.

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