Rogério Xavier e André Jakurski temem risco fiscal e eleição - TC
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Especial: Rogério Xavier e André Jakurski revelam temores com risco fiscal e eleição

Postado por: TC Mover em 19/08/2021 às 15:09
Rogério Xavier e André Jakurski estão pessimistas com Brasil

Brasília/São Paulo, 19 de agosto – Dois dos mais renomados gestores de fundos do Brasil estão pessimistas com as perspectivas para o país. Ambos temem a perda de confiança do mercado na política econômica do governo federal. O fundador da SPX Capital, Rogério Xavier, e o sócio e fundador da JGP, André Jakurski, dizem que há uma profunda apreensão com o que o Banco Central e o Ministério da Economia farão quanto aos riscos atrelados às contas públicas, que podem piorar em período de eleição. A análise foi feita em um evento do Santander Brasil, na última quarta-feira, 18.

Falta de aprovação de medidas de contenção de gastos piora riscos macroeconômicos

Os comentários refletem a visão de que os riscos macroeconômicos pioraram devido à falta de adesão para a aprovação de medidas de contenção de gastos e modernização da máquina pública. Por outro lado, a polarização política em alta pode gerar surtos populistas entre políticos governistas e opositores, a 14 meses da eleição presidencial.

A recente saída de capital estrangeiro do país, especialmente dos ativos de renda fixa, inspira cautela para os investimentos denominados em reais. As taxas de juro a termo de dez anos dispararam recentemente, subindo em 13 dos últimos 15 pregões. Por outro lado, os dados desta manhã mostraram que estrangeiros atingiram sua maior exposição comprada em futuros de Ibovespa no ano. Isso em meio à queda do índice e ao vencimento dos contratos para agosto.

Rogério Xavier projeta crescimento da economia, apesar de situação fiscal desafiadora

Rogério Xavier projeta crescimento da economia de 5,50% neste ano, acima do consenso. No entanto, o fundador da SPX Capital, que administra cerca de R$50 bilhões em ativos, pondera que a situação fiscal desafiadora pode levar o governo a apresentar “contabilidades criativas”. Ele vê o dólar entre R$5,30 e R$5,40. André Jakurski, por sua vez, estima a moeda dos Estados Unidos entre R$5,00 e R$5,50, e argumenta que o Banco Central errou ao derrubar a taxa básica Selic a 2% nas mínimas históricas.

Nesse sentido, Rogério Xavier concorda. “O Banco Central correu um risco grosseiro e desnecessário”, diz o especialista. “O problema com o futuro é que o cenário global deverá estar mais deteriorado em 2022, e por aqui ainda teremos eleições”, completa. Na quarta-feira, 18, o risco-país, ou risco de calote, medido pelo indicador Credit Default Swap, CDS, atingiu nível máximo desde maio, com 186,3 pontos, segundo dados da Refinitiv.

Para André Jakurski, o cenário eleitoral “leva a crer que vai haver um esforço do governo de fazer benesses” – ou seja, a eventual priorização de medidas populares pela reeleição do presidente Jair Bolsonaro em detrimento da austeridade fiscal. Na quarta-feira, 18, o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos, trouxe o mesmo argumento em entrevista à Reuters.

Manejo da relação de conta corrente é ponto positivo da atual gestão pública, diz Rogério Xavier

Rogério Xavier traz como pontos positivos da atual gestão pública o manejo da relação entre conta corrente e balanço de pagamentos. Ele ressalta que, mesmo financiando a pandemia no país, não há necessidade de um financiamento externo. Sobre os ativos locais, o especialista acredita que o cenário de dominância fiscal, no qual a elevação dos juros não consegue conter a inflação, está precificado nos ativos.

André Jakurski acrescenta que, apesar dos resultados sólidos do segundo trimestre, os múltiplos das ações embutem um crescimento robusto, que demandaria uma “economia pujante”, o que ele não contempla em suas projeções. “Ações com múltiplos altos, como Natura, Magazine Luiza e Localiza, não vão a lugar algum há mais de um ano, pois estão digerindo seus preços sobre lucros altos”, disse.

“Temos que torcer por juros baixos, para haver maior credibilidade do Banco Central”, afirma o sócio e fundador da JGP. “Os múltiplos das empresas em um ambiente de juros de 2% a 3% são uma coisa, em um cenário de 8% a 10%, outra completamente diferente”, completa.

Com aproximação de cenário eleitoral, viés é negativo para o real brasileiro

Em um ano, o fundo de maior capitalização da SPX, o SPX Raptor Feeder FIC FIM CP, sobe 14,34%, enquanto o da JGP, o JGP Strategy FIC FIM, perde 0,54%. No mesmo período, o Ibovespa avança 19,66% e o CDI, 2,57%. Os dados se referem a um ano corrido até o dia 16 de agosto.

Sobre o câmbio, Rogério Xavier diz que está na ponta compradora do dólar. Já André Jakurski acredita que a alta nos juros tende a ancorar a divisa americana, mas à medida que se aproxima o cenário eleitoral, “tudo é possível” e o viés é negativo para o real brasileiro.

Texto: Gabriel Brondi e Gabriel Ponte
Edição: Felipe Corleta, Guillermo Parra-Bernal, Anderson Lima, Letícia Matsuura e Stéfanie Rigamonti
Arte: Vinícius Martins / Mover


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