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Porto Seguro vê forte crescimento dos lucros puxando bolsa

Postado por: TC Mover em 05/01/2021 às 19:28

São Paulo, 5 de janeiro – A forte injeção de recursos na economia global, por governos e bancos centrais, somado ao maior controle da pandemia de coronavírus e a retomada da atividade devem provocar uma forte recuperação dos lucros das empresas e favorecer as bolsas em 2021, afirma Marcelo Faria, gestor renda variável da Porto Seguro Investimentos, área de gestão da Porto Seguro.

 

Mas, como o mercado já antecipou parte desse cenário otimista e os preços das ações subiram bastante em novembro e dezembro, o investidor deve estar preparado para realizações no curto prazo.

 

“O mercado está muito posicionado para o sucesso rápido das vacinas e da recuperação, mas isso pode atrasar um pouco, como vimos com o surgimento de novas cepas do vírus e mais restrições na Europa e nos Estados Unidos”, afirma Faria. “Há uma divergência no curtíssimo prazo entre o preço das ações e o avanço da vacinação”, disse, durante apresentação mensal de resultados da gestora.

 

Lucro das empresas deve quadruplicar em 2021

 

Para as bolsas continuarem tendo um ano espetacular, o gestor diz que serão necessárias novas surpresas positivas do lado da recuperação de lucro das empresas. Olhando para o Brasil, Faria estima que o lucro das empresas do Índice Bovespa em 2020 caiu pela metade em relação a 2019 e, em 2021, deve ser quatro vezes maior que no ano passado.

 

O gestor diz que está otimista com commodities, como petróleo e minério de ferro e produtos agrícolas. Já segmentos ligados ao mercado interno podem sofrer pela dificuldade do governo em levar adiante o plano de vacinação da população e o fim do auxílio emergencial, que vai impactar o consumo. “As empresas locais só vão retomar se houver combate ao vírus”, diz.

 

Faria diz que a rotação de setores de tecnologia para os ligados ao crescimento global vai continuar, independentemente do resultado de hoje na eleição para o Senado na Geórgia, nos Estados Unidos, pois os incentivos do governo americano devem continuar.

 

Desde o auge da pandemia, ele estima que governos e bancos centrais já injetaram US$25 trilhões na economia. Os fundos de ações da Porto Seguro estão buscando empresas ligadas ao crescimento global e evitam o setor de consumo doméstico.

 

Dólar mais fraco, juro baixo e incentivos devem favorecer commodities

 

Os preços atuais dos ativos, como commodities e ações, já refletem em boa parte uma retomada mais forte da economia, diz José Pena, economista-chefe da Porto Seguro. Há risco de realizações por conta de demora na vacinação ou novas versões do vírus, mas as questões estruturais, como o enfraquecimento do dólar, o juro baixo, os incentivos e o crescimento global, devem prevalecer e favorecer as commodities e os países emergentes e suas moedas.

 

O Brasil será beneficiado pela retomada da economia global, mas esse impacto vai depender do cenário interno, observa pena, e os ativos locais podem ter desempenho abaixo do de outros países. “Não tem plano de vacinação, o que torna o processo de imunizar 212 milhões de habitantes um processo mais demorado”, diz.

 

Além disso, o quadro fiscal exige resposta rápida e robusta depois do aumento de gastos do ano passado e Pena se diz cético sobre a capacidade do governo de levar adiante esse ajuste na profundidade necessária.

 

“É preciso ver o que sai nas eleições para Câmara e do Senado em fevereiro, mas tenho muitas dúvidas sobre essa nova administração das casas e falta de convicção do Executivo em levar adiante as reformas”, diz.

 

Desempenho das ações da Porto Seguro (PSSA3)

 

A ação ordinária da Porto Seguro, código PSSA3, caiu 0,88%, cotada a R$47,36, enquanto o Ibovespa subiu 0,44% superando 119,7 mil pontos. Para acompanhar o desempenho das ações da Porto Seguro e de outras empresas, basta acessar o TC Matrix, ferramenta gratuita do TC.

 

Texto: Angelo Pavini
Edição: Igor Sodré e Letícia Matsuura
Imagem: TC Mover

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