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Produção industrial no Brasil segue em queda e fica abaixo do patamar pré-pandemia

Postado por: TC Mover em 02/09/2021 às 10:43
Produção industrial

Rio de Janeiro, 2 de setembro – Com o encarecimento do custo e do desarranjo da cadeia produtiva, a produção industrial brasileira voltou a cair em julho. O índice se manteve abaixo do patamar pré-pandemia, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, divulgados na manhã desta quinta-feira, 2.

A produção industrial apresentou queda de 1,3% na passagem de junho para julho, após retração de 0,2% no mês anterior. Com esse resultado, a indústria acumula queda de 1,5% em dois meses, após alta de 1,2% em maio.

Na comparação anual, a indústria cresceu 1,2%, acumulando alta de 11% e, em doze meses, de 7%. Com o resultado de julho, a produção industrial ficou 2,1% abaixo do nível pré-pandemia, de fevereiro de 2020.

Pandemia ainda impacta na produção industrial

O gerente da pesquisa, André Macedo, explica que o resultado de julho permanece relacionado aos efeitos da pandemia. “Em linhas gerais, o comportamento de julho não difere muito do que a gente vem observando ao longo deste ano, já que, dos sete meses, em cinco houve queda”, pontua Macedo.

“Com o avanço da vacinação e a flexibilização das restrições, a produção industrial agora sente os efeitos do encarecimento do custo e do desarranjo de toda cadeia produtiva”, continua o gerente da pesquisa. Lembrando que, em janeiro deste ano, a produção industrial chegou a estar 3,5% acima do patamar pré-pandemia.

André Macedo ainda alerta para o cenário expressivo de pessoas fora do mercado de trabalho, bem como a precarização do emprego e a retração do rendimento. Essa situação ficou patente com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, PNAD, que apontou que 14 milhões de brasileiros ainda procuram trabalho. O levantamento foi divulgado na última terça-feira, 31. “O resultado da indústria está no escopo dos resultados de renda, emprego e inflação mostrado pelas demais pesquisas”, enfatizou.

Setores de bebidas e produtos alimentícios puxam queda

A queda atingiu, sobretudo, o setor de bebidas, que caiu 10,2%, interrompendo três meses de taxas positivas consecutivas, quando acumulou alta de 11,7%. O setor de produtos alimentícios também foi afetado, com um recuo de 1,8%, o segundo consecutivo, acumulando, assim, perda de 3,8%.

Outras contribuições negativas importantes para a indústria em julho foram dos setores de veículos automotores, reboques e carrocerias, com -2,8%, de máquinas e equipamentos, com -4%, e de outros equipamentos de transporte, com -15,6%.

Por outro lado, entre as sete atividades com crescimento na produção, coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis exerceram o principal impacto positivo, com alta de 2,8%. É o terceiro mês seguido de avanço, acumulando, nesse período, 10,2% de aumento.

Para fechar, Macedo também citou a contribuição do processo inflacionário no resultado da indústria. A inflação vem diminuindo a renda das famílias e o consumo no dia a dia, conforme mostrou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, divulgado recentemente pelo IBGE.

Texto: Cintia Thomaz
Edição: Guilherme Dogo e Stéfanie Rigamonti
Arte: Vinicius Martins / Mover


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