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Risco político-fiscal e fluxo negativo vão pressionar o real, diz Bank of America

Postado por: TC Mover em 15/09/2021 às 17:26
Pressão do risco político-fiscal sobre o real

Brasília, 15 de setembro – Apesar da perspectiva de endurecimento da política monetária pelo Banco Central, os ruídos políticos, somados ao risco fiscal e fluxos negativos, ameaçam trazer volatilidade ao real. A análise, divulgada em relatório nesta quarta-feira, 15, é do Bank of America, que tem visão neutra para a moeda.

Os economistas do BofA Gabriel Tenorio e Claudio Irigoyen elevaram a projeção para o dólar ao fim deste ano, a R$5,10, ante estimativa de R$5,00, acompanhando a escalada do risco político. No ano, o real acumula perda de 1,21% contra o dólar norte-americano, não se beneficiando de uma Selic – taxa básica de juros – mais elevada, nem do arrefecimento da pandemia no país.

“O ruído político permanece muito alto devido aos fortes atritos entre os Poderes. A incerteza fiscal é elevada devido à ofensiva para expandir o Bolsa Família e à necessidade de acumular passivos maiores que os projetados”, resumiram os economistas, em alusão às despesas com precatórios.

Possibilidade de pressão maior sobre o câmbio

Os especialistas também lembraram que pode haver pressão sobre o câmbio ao fim do ano. Isso por causa dos fluxos de saída de capital do país devido à sazonal remessa de lucros e dividendos de empresas e à compra de dólares em razão do ajuste de bancos ao “overhedge”.

O próprio presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou na véspera que a autoridade monetária poderá ter de atuar no mercado no fim do ano. Isso devido à demanda associada ao desmonte do “overhedge”, com o objetivo de amenizá-la. A fala ocorreu durante evento promovido pelo BTG Pactual.

Real deve se valorizar com a diminuição do risco político-fiscal

O BofA calcula que o real encontra-se, atualmente, 21% abaixo do valor considerado “justo” no médio prazo, de R$4,20. A instituição prevê que uma parte do prêmio de risco embutido seja removida com a continuidade do ciclo de alta de juros, bem como com a diminuição da incerteza político-fiscal.

Ontem o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o câmbio de equilíbrio deveria girar, atualmente, entre R$3,80 a R$4,20. Mas considera que o “barulho político” não permite que o dólar recue ante o real.

Posicionamento dos investidores

Ainda de acordo com especialistas do Bank of America, o posicionamento de investidores domésticos encontra-se mais “leve” em comparação aos níveis de julho. “Mas os estrangeiros parecem que adicionaram exposição, de acordo com dados da BM&F. Nossos ‘Liquid Cross Border Flows’ mostra fundos hedge adicionando e fundos em real reduzindo exposição ao BRL”, completaram os economistas.

Texto: Gabriel Ponte
Edição: Angelo Pavini e Stéfanie Rigamonti
Arte: Mover


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