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Real tem liquidação não justificada, diz Robin Brooks

Postado por: TC Mover em 06/07/2021 às 17:32
Economista critica liquidação do real

São Paulo, 6 de julho – A liquidação que o real está sofrendo nesta terça-feira, 6, não tem justificativa, disse Robin Brooks, economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais, IIF na sigla em inglês, em comentário no Twitter.

“Claro que o Brasil tem problemas com corrupção, mas hoje em dia qual país emergente ou do G10 não tem? Um dos pontos fortes do Brasil é seu judiciário independente e forte, que expõe a corrupção repetidamente. Isso é positivo, não negativo”, observou ele.

Desenrolar da CPI da Covid e aumento de gastos públicos influenciam na piora do real

Perto das 17h30, o dólar futuro era negociado em R$5,217, alta de 2,18%, no maior nível desde junho, emendando a sexta alta consecutiva. No ranking global com 21 moedas, o real estava na lanterna. No primeiro semestre, a moeda brasileira ficou no topo dos ganhos globais e hoje sofre com a realização de lucros também por estar entre as moedas mais líquidas do planeta.

Parte do piora do real é explicada pelo desenrolar da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga as ações do governo na pandemia, a CPI da Covid, com denúncias de corrupção que envolvem direta ou indiretamente o presidente Jair Bolsonaro.

O aumento de gastos com a prorrogação do auxílio emergencial por mais três meses, anunciada na última segunda-feira, 5, dia em que pesquisa da CNT/MDA apontou queda da popularidade do governo, também trouxe apreensão.

Brasil tem conta corrente e superávit comercial em níveis recordes, destaca economista

O exterior com forte aversão ao risco, depois de dados fracos dos serviços americanos, além de falta de fluxo de exportadores, que estão preferindo manter seus dólares no exterior, ajudam a derrubar o real. O tombo do preço do petróleo também pesa sobre a divisa brasileira.

Segundo Robin Brooks, “o sistema não é perfeito, mas não acho que esse seja o padrão pelo qual julgar o Brasil”. “Na maioria dos outros emergentes, esse tipo de coisa [corrupção] nem vem à tona”, observou o economista.

O economista-chefe do IIF destacou ainda que o Brasil está com a conta corrente e o superávit comercial brasileiro em níveis recordes devido à melhora massiva nos termos de troca. “Em contraste, a conta corrente da África do Sul está superavitária devido à profunda recessão”, ressaltou ele.

Texto: Bárbara Leite
Edição: Guilherme Dogo e João Pedro Malar
Arte: TC Mover


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