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Roberto Campos Neto e Fabio Kanczuk veem inflação transitória e Selic em 3,5% em maio

Postado por: TC Mover em 09/04/2021 às 15:01
Roberto Campos Neto - inflação - Selic - Fábio Kanczuk

São Paulo, 9 de abril – Em eventos públicos separados, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o diretor de Política Econômica, Fabio Kanczuk, declararam que veem a inflação como temporária e não estrutural. Disseram também que, a menos que algo extraordinário aconteça, o que por ora não estão enxergando, a taxa básica de juros, taxa Selic, subirá mais 0,75 ponto percentual em maio, para 3,50% ao ano.


Horizonte para decisão do Copom é expectativa da inflação para 2022, diz Fabio Kanczuk

Em evento da XP, Roberto Campos Neto afirmou ainda que “a normalização parcial significa que não precisamos ir para a taxa neutra agora”, colocando um limite para alta dos juros.

Os dirigentes, porém, voltaram a repetir que o compromisso da autarquia é com a inflação, não com a comunicação da última ata do Comitê de Política Monetária, o Copom. Portanto, se o cenário demandar, o rumo da Selic será outro.

“O BC fará o que for necessário para que a meta da inflação seja atingida”, disse Roberto Campos Neto. Na videoconferência do Goldman Sachs, Fabio Kanczuk lembrou o que disse ontem, que o horizonte para a decisão do próximo Copom é a expectativa de inflação para 2022. O choque das commodities é elevado e é o maior risco de alta, avaliou o diretor do BC.


Para Roberto Campos Neto, dizer que Brasil vive dominância fiscal é exagero

Roberto Campos Neto acredita que é “exagero” dizer que o país vive uma dominância fiscal. O termo é usado quando o governo perde a capacidade de custear seus gastos e passa a emitir moeda para isso, impulsionando a inflação. Já Fabio Kanczuk falou que “estamos longe” da dominância.

O presidente do BC avaliou que o impasse do Orçamento de 2021 é um problema e precisa de solução. Entretanto, no retrato geral, o quadro fiscal do país melhorou, observou ele. De novo, ambos repetiram que o crescimento vai depender da vacinação.

Em relação às atuações do câmbio, os membros do BC reafirmaram que elas são para reduzir distorções. Fabio Kanczuk disse que não há chance do Banco Central começar a atuar no mercado de câmbio para controlar a inflação.


DIs sobem mesmo após declarações suaves de dirigentes do Banco Central

Perto das 15h00, o dólar futuro subia 1,87%, a R$5,680. Ele era pressionado pela força da moeda americana no exterior, após piora da inflação, pela instalação da CPI da Covid e incertezas com o Orçamento de 2021. A queda na popularidade do presidente Jair Bolsonaro, que renovou atritos com o judiciário, atacando o ministro do Supremo Luiz Barroso, também ajuda a derrubar o real.

Por tabela, os juros futuros, DIs, sobem em até 19 pontos-base. A alta ocorre mesmo com as declarações suaves dos dirigentes do BC e dados de inflação local mais fracos do que o esperado. Com isso, os DIs devolvem parte das perdas do dia anterior.

Texto: Bárbara Leite
Edição: Angelo Pavini e João Pedro Malar
Arte: Vinícius Martins / TC Mover


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