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Serviços e indústria derrubam PIB, que tem pior recuo histórico em 2020

Postado por: TC Mover em 03/03/2021 às 11:13
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São Paulo, 3 de março – A eclosão da pandemia de Covid-19, que fechou negócios e destruiu milhões de vagas de trabalho, interrompeu três anos seguidos de expansão econômica no Brasil. Essa crise fez o Produto Interno Bruto, PIB, registrar em 2020 sua pior contração na história. A bolsa recuava e o dólar avançava, sinalizando temor do mercado com a possibilidade de o governo e o Congresso flexibilizarem ainda mais o Orçamento da União para mitigar a crise econômica.


PIB recua 4,10% em 2020, fortemente impactado pelo setor de serviços

Mesmo com a reabertura da economia ao longo do segundo semestre, o fim do auxílio emergencial e a falta de tração no mercado de trabalho contribuíram para que o tombo do primeiro semestre se estendesse até dezembro, disse o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, na manhã desta quarta-feira. O PIB encerrou 2020 com um recuo de 4,10%, ainda em linha com o consenso do TC, que estimava uma queda de 4,20%. Em valores correntes, o PIB do Brasil ficou em R$7,40 trilhões.

O resultado foi fortemente impactado pelo setor de serviços, que encolheu 4,50%, e pela queda da indústria, que recuou 3,50%. No base anual, porém, houve alta de 3,20% na taxa de crescimento do PIB do quarto trimestre, maior do que o consenso de 2,80%, mas uma desaceleração quando comparado ao terceiro trimestre, quando o PIB cresceu 7,70%.

O dado demonstra a tese de que a retomada da economia no segundo semestre foi importante, mas não suficiente. Ao mesmo tempo, a contração do PIB pode dar mais peso à tese do Banco Central de que a economia precisa de estímulos extraordinários, contrariando as expectativas de uma alta no juro básico, atualmente na mínima histórica de 2,00%, a partir deste mês.


Agropecuária foi único setor que apresentou alta

O único setor do PIB que apresentou alta foi o da agropecuária, que cresceu 2,00% no ano passado, puxado pela soja e pelo café, que cresceram 7,1% e 24,4%, respectivamente. A economista-chefe do TC, Fernanda Mansano, atribui esse crescimento ao aumento da competividade e o câmbio depreciado frente aos anos anteriores.

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias teve o menor resultado da série histórica, com queda de 5,50%. Segundo a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Pallis, esse recuo pode ser explicado pela piora no mercado de trabalho e o distanciamento social. O primeiro trimestre não deve ser diferente para a demanda e o PIB, já que a campanha de vacinação ainda patina e o Congresso precisa votar a PEC Emergencial para liberar novos recursos, dando gás para a economia, disse Mansano.

Texto: Guilherme Dogo
Edição: Guillermo Parra-Bernal e Letícia Matsuura
Arte: TC Mover


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