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Sete empresas desistem de IPOs em três semanas; janela pode voltar só em fevereiro

Postado por: TC Mover em 15/10/2020 às 20:51
A Eleven Financial Research elevou o preço-alvo do papel ordinário da Magazine Luiza para R$32,00, o que tem implícito um potencial de 24% de alta, em função das aquisições recentes, como a escola digital ComSchool, e do desempenho acima do esperado dos dados de varejo.

São Paulo, 15 de outubro – A fila de candidatas que pensavam em abrir seu capital na B3 e desistiram engrossou, chegando já a sete empresas que recuaram de suas Ofertas Públicas Iniciais ou IPOs nas últimas três semanas, conforme dados da Comissão de Valores Mobiliários, a CVM. 

A primeira foi a Compass Gás e Energia, em 28 de setembro. Depois foi a vez de 2W Energia, no dia 2 de outubro, a Elfa Medicamentos, no dia 8, a Patrimar Engenharia, no dia 9, a Housi, no dia 13, e apenas hoje, duas: a Triple Play e a One Innovation.

Desistências não oficiais de IPOs engrossam lista

O número de desistências em três semanas já supera o de todo o ano. Até agosto, cinco empresas haviam comunicado o cancelamento de sua listagem de ações na B3 como as incorporadoras You Inc Incorporadora, Alphaville Urbanistmo e Riva 9 Empreendimentos Imobiliários, além dos bancos Daycoval e BR Partners. 

E outras podem engrossar a lista. A Pacaembu Construtora, que precificaria oferta dia 1º deste mês, não teve demanda com quadro de volatilidade e postergou a precificação para o dia 30.

Sem contar as desistências não oficiais, como a da rede de lojas Havan, do polêmico Luciano Hang, que decidiu seguir o conselho dos bancos coordenadores da oferta e esperar uma melhora do mercado. Na lista das empresas que não comunicaram sua decisão à CVM figuram ainda a Caixa Seguridade e Iguá Saneamento.

Ainda há muitos pedidos de registro

Mesmo com essas desistências, a lista de espera de lançamentos ainda é longa, com 36 pedidos de registos de IPOs na CVM. Em outubro, duas empresas, Cruzeiro do Sul Educacional e Rede D’Or São Luiz pediram registro para lançar ações. 

Ainda estão com ofertas valendo a varejista de moda esportiva Track & Field, o site de produtos usados Enjoei.com, a cashback Méliuz e o e-commerce de vinhos Wine.  Mas apesar da pandemia, a B3 já recebeu 20 novatas neste ano.  

Instabilidade de mercado como motivo

Os recuos podem ser explicados pela maior instabilidade dos mercados no Brasil e no exterior e a volta das preocupações com as contas públicas brasileiras, que reduziram o apetite dos investidores por ações, especialmente de empresas novas. 

“Todo o processo eleitoral nos Estados Unidos, essa questão da aprovação do pacote fiscal, o clima mais tenso que a gente viveu aqui no Brasil no âmbito fiscal e também as eleições municipais fazem com que o investidor se torne mais conservador, mais seletivo na hora de fazer suas escolhas”, disse Filipe Villegas, estrategista de ações da Genial Investimentos. 

Ele lembra que muitos IPOs só foram emplacados porque as empresas aceitaram cortar o preço abaixo do piso da faixa indicativa, reduzindo o valor levantando nas operações. É o caso das construtoras Lavvi, Plano & Plano e Cury, além de rede de farmácias Pague Menos, que aceitaram concluir seus IPOs a preços abaixo do intervalo estimado. A construtora Melnick e a varejista Grupo Mateus, que fez seu IPO na semana passada, o maior do ano, no qual embolsou R$4,6 bilhões, venderam ações no piso da faixa indicativa. 

Para Villegas, a não ser que haja alguma oferta muito significativa, que o mercado realmente sinta novo apetite, a onda de ofertas deve ficar parada. “Acredito que a próxima janela deve se abrir somente em fevereiro, depois do Carnaval, quando todas essas questões já estiverem resolvidas. Ou seja, por questões macroeconômicas e de timing só veremos novas ofertas após fevereiro do ano que vem”, avalia Villegas.

Texto: Bárbara Leite
Edição: Angelo Pavini e Letícia Matsuura
Imagem: Divulgação

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